O baile já pulsava antes mesmo de ser visto. A música subia pesada pela rua principal do morro aliado, fazendo o chão vibrar sob os pés, misturada ao cheiro de bebida, maconha e suor. As luzes coloridas piscavam de forma desordenada, refletindo nos muros grafitados, nos rostos animados, nas armas penduradas sem nenhum pudor. Ali não havia fingimento. Era território do crime, do poder, do excesso. Carros subiam devagar, vidros escuros, sons graves. Homens armados controlavam cada entrada, atentos, respeitosos apenas com quem tinha nome. O carro de Cobra foi reconhecido antes mesmo de parar. — É o Cobra — avisou um dos soldados, erguendo o braço. O veículo encostou próximo à entrada reservada. Cobra saiu primeiro. Ele vestia uma camisa preta de botão, aberta no peito, corrente grossa d

