A casa acordava devagar naquela manhã no Morro da Babilônia, como se até as paredes precisassem de tempo para aceitar que algo tinha mudado. O cheiro de café começava a se misturar com o de sabonete barato e água quente, e a luz entrava pelas frestas das janelas sem cortina, revelando o simples, o vivido, o real. Helena foi a primeira a se levantar do sofá. O corpo ainda reclamava do pouco descanso, mas a mente estava estranhamente alerta. Caminhou descalça até o banheiro, fechando a porta com cuidado para não acordar Murilo. Quando a água caiu sobre sua cabeça, quente, constante, ela fechou os olhos e deixou que escorresse pelo rosto, levando junto um pouco da confusão da madrugada. Pensou em tudo o que tinha sido dito, no que ainda não tinha coragem de dizer. Pensou no toque de Lucifer,

