O DESPERTAR DA FARSA NARRAÇÃO: (LUNA) O sono no Leblon é pesado, mas o meu instinto de bicho do morro nunca desliga. Ouvi os toques suaves na madeira da porta e, num reflexo, meu corpo entrou em alerta. Eu estava espalhada na cama de casal, os lençóis de seda enrolados no meu corpo, mas o pânico me atingiu antes mesmo de eu abrir os olhos. As tatuagens. Minhas costas e braços eram um mapa do meu passado com o Pivô. Se a Lídia entrasse e visse os desenhos de caveira, as frases em gótico e as marcas da minha vida real, o jogo acabava antes de eu tomar o café. — Filha? Posso entrar? — A voz da Lídia era doce, carregada daquela paciência de mãe que me dava nos nervos. — Espera, mãe! — gritei, a voz rouca de sono, enquanto puxava o cobertor até o queixo e me enrolava como um casulo. — Entr

