NARRAÇÃO: LUNA O dia amanheceu cinza, pesado, combinando exatamente com o clima dentro dessa mansão. Eu passei a noite em claro, alimentando o meu ódio com cada batida do relógio. Quando o sol começou a entrar pelas frestas da cortina, ouvi o barulho da porta. O Marlon chegou. Eu fico deitada, fingindo que o sono me habita, mas meus olhos estão semicerrados, vigiando cada movimento dele. Ele entra no quarto exalando aquele cheiro de asfalto, suor e armamento. Ele nem olha pra cama. Começa a se arrumar em silêncio, uma calma que me irrita mais do que se ele estivesse gritando. Ele abre o armário, escolhe uma camisa preta, se veste devagar. Me ignora como se eu fosse um móvel velho, um objeto de decoração que ele cansou de olhar. Sinto o ódio puro borbulhar no meu estômago. Ninguém me ign

