O RASTRO DAS CORES NARRAÇÃO: (PIVÔ) Tentei limpar o sangue das mãos na pia do banheiro, mas a água fria não tirava a mancha invisível que a Estela tinha deixado na minha consciência. Vesti uma camisa preta limpa, tentando esconder os nós dos dedos estourados, e desci para o jantar. A mesa estava posta, o cheiro da comida da Cida preenchia a sala, mas o silêncio era ensurdecedor. Olhei para a cadeira vazia na cabeceira oposta e senti um aperto no peito que nenhum colete balístico seria capaz de segurar. — Cida! — chamei, a voz saindo mais rouca do que eu pretendia. Ela apareceu no vão da porta, secando as mãos no avental. O olhar dela para mim não era de medo, era de um julgamento silencioso que me incomodava mais do que um fuzil apontado. — Cadê a garota, Cida? Por que ela não está n

