NARRAÇÃO: LUNA Eu via o colapso dela em câmera lenta e era a coisa mais satisfatória que eu já tinha presenciado. A Estela estava hiperventilando, o peito subindo e descendo num ritmo frenético que parecia que ia rasgar o tecido caro do vestido branco dela. Ela era tão... transparente. Cada emoção, cada grama de medo, estava estampada naquela cara que era o meu espelho. — Respira, "princesa". Ou vai desmaiar no chão sujo e estragar o figurino? — debochei, cruzando os braços e sentindo o peso da pistola na minha coxa. — O mármore é frio, mas o asfalto onde eu cresci queima muito mais. Ela balançou a cabeça negativamente, os olhos fixos nos meus como se tentasse encontrar uma saída num labirinto de espelhos. Ela começou a tremer tanto que os dentes batiam. — Não... não pode ser. Eu... eu

