Estávamos na sala, o ar-condicionado no mínimo e um filme qualquer passando na TV gigante. Eu fingia estar concentrada na tela, mas minha mente estava no morro, imaginando se o Pivô já tinha descido pro galpão ou se o Dante ainda estava vivo. O silêncio do Leblon estava me deixando maluca. — Filha... — Renato falou baixo, sem tirar os olhos da TV. — Se a pintura está difícil agora, talvez o escritório te ajude a espairecer. Você sempre amou a arquitetura. Seus projetos, suas plantas... Você fala de "espaços com alma", lembra? Talvez voltar pra rotina do prédio antigo, ver a Deka e o pessoal, te devolva o chão. Engoli em seco. "Deka". "Espaços com alma". Cada palavra que ele dizia era um código que eu não tinha a senha. Eu m*l sabia a diferença entre uma viga e uma coluna, e ele queria qu

