NARRAÇÃO: ESTELA O sol começou a entrar pelas frestas da cortina, desenhando listras de luz dourada pelo quarto. Eu sentia um peso morno e reconfortante sobre o meu corpo, uma sensação de segurança que eu não experimentava desde que tinha sido arrancada da minha casa. Meus sentidos foram voltando devagar, embalados por um som rítmico e profundo que vinha de logo atrás de mim... tum-tum... tum-tum... o batimento de um coração. Pisquei os olhos, tentando me situar. A última imagem que eu tinha na memória era do brilho da televisão e do balde de pipoca. Mas eu não estava mais no sofá. O colchão era o meu, o cheiro de lavanda dos meus lençóis estava ali, mas misturado com algo novo: um perfume de madeira, asfalto e um toque de tabaco caro. Foi quando eu senti. Havia um braço pesado, muscul

