Parei ali, estático, com a mão ainda firme no queixo dela. A luz amarelada daquela lâmpada velha criava sombras que destacavam cada detalhe do rosto da Estela. Era hipnotizante. Eu já tinha visto a Luna em mil situações — sedutora, furiosa, coberta de sangue ou de joias — mas nunca tinha visto aquele rosto com tamanha vulnerabilidade. — Essa Estela... ela consegue ser mais linda que a própria Luna — pensei, sentindo um estalo estranho no peito que eu logo tratei de sufocar. Não era apenas a beleza física, porque os traços eram idênticos. Era algo que vinha de dentro, uma luz que a Maré nunca permitiu que a Luna tivesse. Enquanto a Luna era perigosa e manipuladora, uma mulher forjada no aço do crime, a Estela era doce, pura e sensível. Olhar para ela era como olhar para uma versão da Luna

