NARRAÇÃO: A RAINHA DE GELO E SANGUE Luna Eu sinto o peso da mão do Marlon no meu ombro e a minha vontade é de me esquivar como se estivesse tocando em algo podre. Que homem grudento, que energia pesada! O toque dele me dá um asco que sobe pela garganta, um nojo visceral que eu preciso enterrar bem fundo sob camadas de cinismo e batom vermelho. Ele acha que esse teatro de ciúme e posse é prova de amor, mas pra mim é só o desespero de um animal que sente, lá no fundo, que a coleira está arrebentando. “Tu tem a chave do que importa”, eu disse pra ele lá no quarto. Mentira. A única chave que ele tem é a da ignorância. Ele não sabe de nada. Não sabe que a "alcoólatra drogada" que me pariu não sumiu por vontade própria, mas porque eu mesma garanti que ela nunca mais abrisse aquela boca imunda

