NARRAÇÃO: O DONO DA p***a TODA Pivô Saio do QG com o sangue borbulhando, tá ligado? A noite no morro tem um cheiro diferente quando a traição tá rondando, é um cheiro de pólvora misturado com chuva que não cai. Vou descendo os becos, sentindo o peso do oitão na cintura, e cada vapor que passa por mim endireita a postura na hora. O clima tá pesado, e eu tô com aquele pressentimento que nunca falha: tem n**o querendo ser mais esperto que o dono da banca. Vou cortando por dentro, numas vielas onde a luz do poste fica piscando, e é lá que eu vejo a silhueta. Reconheço o jeito de andar, a marra. É o Dante. O cara que cresceu comigo, que eu chamei de irmão e que hoje tá me dando um enjoo que eu não consigo explicar. Ele tá encostado num muro, falando no rádio, mas quando me vê, trava. O radin

