Depois daquela conversa com a Cida, o quarto parecia ainda menor. O segredo que eu carregava pesava como uma armadura de chumbo. Eu precisava me mexer, sentir que ainda tinha algum controle sobre o meu próprio corpo. Quando a Cida disse que ia descer para adiantar o jantar, eu não deixei ela ir sozinha. — Eu vou com você, Cida. Preciso me sentir útil, ou vou acabar enlouquecendo aqui em cima. Descemos as escadas em silêncio. Na cozinha, o cheiro de tempero fresco me trouxe uma sensação passageira de normalidade. Comecei a ajudar a picar alguns legumes, focando no movimento das mãos para não pensar no Marlon ou na marca de traição que o meu rosto carregava. De repente, batidas secas e fortes ecoaram na porta dos fundos, fazendo meu coração saltar. — Deixa que eu vou, Cida — falei, secand

