NARRAÇÃO: (PIVÔ) Estava indo falar com a Estela sobre as paradas que ela pediu, mas na mesma hora, o que eu ouvi me fez recuar. Meus pés, que nunca tremeram numa invasão, agora pareciam não encontrar o chão. O ar daquela mansão, que eu sempre achei que era meu por direito, agora me sufocava. Cada centímetro daquele mármore caro gritava a minha covardia. Entrei no meu quarto e bati a porta, mas o som não foi alto o suficiente para abafar a voz da Estela na minha cabeça. "Eu ainda sou... virgem". Aquela frase era uma sentença. Era o atestado de que eu era o animal mais baixo que já pisou naquele complexo. — Que p***a eu fiz... — sussurrei, sentindo um gosto amargo subir pela garganta. A fúria veio, mas dessa vez não era contra a Luna, nem contra o Dante. Era contra o cara no espelho.

