NARRAÇÃO: LUNA Fiquei ali, jogada naqueles lençóis que agora pareciam lixa na minha pele. O som da porta batendo ainda ecoava, mas o que martelava mesmo era o ódio. Limpei o canto da minha boca com as costas da mão, sentindo um nojo profundo. Marlon não me usou apenas como um bicho; ele tentou me humilhar, tentou me marcar com aquela brutalidade de quem acha que recuperou o controle. — Animal... — sibilei para as paredes do quarto, as lágrimas de raiva borrando ainda mais o que restava do meu rosto. — Tu acha que me dobra no ferro? Tu acha que essa camisinha e esse gelo vão me fazer confessar? Levantei da cama num pulo, ignorando a dor nas coxas e o corpo moído. Encarei meu reflexo no espelho: o rímel escorrido me deixava com uma cara diabólica, e era exatamente assim que eu me sentia.

