NARRAÇÃO: O ESTILHAÇO DA INOCÊNCIA (ESTELA) O sol de sábado nasceu preguiçoso, atravessando as cortinas de linho e banhando o quarto com um tom de mel. Por um milagre, o remédio tinha me dado algumas horas de um sono sem sonhos, um refúgio escuro para a minha mente exausta. Abri os olhos devagar e senti o peso reconfortante do braço da minha mãe sobre a minha cintura. Lídia ainda dormia, a respiração calma, o rosto sereno de quem passou a noite em vigília para garantir que o meu mundo não desabasse de vez. Fiquei ali, observando-a. O amor que eu sentia por ela era tão grande que chegava a doer. Ela não me gerou, mas cada fibra do meu ser reconhecia o calor dela como o meu único lar. Aproximei-me com cuidado e beijei sua bochecha, sussurrando contra sua pele: — Eu te amo tanto, mamãe...

