NARRAÇÃO: LUNA O som da tranca batendo foi como o veredito de uma juiz. O silêncio que ficou no quarto era pior do que os gritos dele; era um silêncio que cheirava a ferro e derrota. Eu olhei para o lado e vi a penteadeira, cheia de frascos de cristais, perfumes que custavam o que um vapor ganha em um ano. Presentes do "Rei". — SEU DESGRAÇADO! — berrei, avançando na penteadeira. Com um golpe só, varri tudo para o chão. O barulho do vidro estourando no mármore foi um alívio momentâneo. Chanel, Dior, Carolina Herrera... o cheiro doce e enjoativo inundou o quarto, misturando-se ao odor da solda. Eu pisei em cima dos cacos, sentindo o vidro rasgar o solado da minha sapatilha, mas eu não sentia dor. Eu só sentia ódio. Ele acha que pode me domesticar? Ele acha que eu sou uma das cadelas dele

