NARRAÇÃO: O ESTILHAÇO DA INOCÊNCIA (ESTELA) Três dias se passaram. Três dias em que eu vivi como um fantasma dentro da minha própria pele. Eu tentei, juro que tentei seguir a rotina. Fui ao escritório de arquitetura, analisei plantas, discuti acabamentos de mármore e cronogramas de obras, mas nada parecia real. Era como se eu estivesse assistindo a um filme da minha própria vida, onde o som estava mudo e as cores tinham perdido o brilho. Meus pais me observavam como se eu fosse um cristal prestes a trincar. O café da manhã continuava impecável, o carinho deles era constante, mas a pergunta que eu não fiz continuava gritando no silêncio entre nós. Hoje, o peso do segredo ficou insuportável. Eu estava me arrumando para ir à galeria encontrar o Alberto; precisávamos decidir sobre a venda d

