— Algum problema aqui? — a voz do meu pai cortou o ar como um trovão baixo, mas carregado de eletricidade. Ele parou ao meu lado, a postura ereta, os ombros largos parecendo ocupar o dobro do espaço habitual. O olhar dele não era de dúvida, era de advertência absoluta. Meu pai não precisava gritar para impor respeito; ele possuía aquela calma perigosa, quase ancestral, de quem protege o que tem de mais sagrado na vida. O brilho nos olhos dele não era o do pai carinhoso que me beijara a testa minutos atrás, mas o de um homem que traçara uma linha no chão e desafiava qualquer um a cruzá-la. Henrique, que já estava com o rosto inflamado pela bebida e pelo ego ferido diante de tantos convidados, deu um passo atrás por puro instinto de sobrevivência. Mas ele não se deu por vencido. A arrogânc

