Dias depois…
Lia
Os hematomas estão mais ausentes nos meus dias, eu até queria que fosse uma mudança de atitude, que o meu avô estivesse menos rude e mais amigável, mas infelizmente não é isso, o motivo é que ele fez duas viagens a trabalho e isso me deu um fôlego, mas suas estadias em casa está levantando o alerta da minha irmã, ele anda muito… como posso dizer… muito tranquilo e para nós que estamos acostumados com o seu gênio explosivo é de se estranhar mesmo. Não sou do tipo de pessoa que acredita na mudança das outras, tenho aquele pensamento de que pa'u torto não se endireita, e também estou desconfiada das atitudes do meu avô, mas também penso que ele está assim por saber que está se aproximando a data do casamento.
Não deixei que ninguém soubesse, nem mesmo a minha irmã que é contra, mas minha amiga, Larissa está tentando fazer uma escala entre mim e o Miguel, mas tem sido difícil já que nem ela sabe onde ele se encontra, perguntou a várias pessoas e só dizem que não o veem desde que fugimos, fico pensando se meu avô teve a coragem de concretizar algo contra ele, será que ele é tão louco assim? Não acho impossível, mas seria loucura já que a família do Miguel é muito influente na cidade, não sei o que pensar, só queria que ele aparecesse e me tirasse logo daqui.
Fiz algumas cartas para Larissa levar para Miguel, espero que ela enfim consiga entregar a ele, isso foi ontem, e estou ansiosa pela sua visita, com certeza ela trará novidades. Ela também prometeu que tentará entrar em minha casa com o seu celular mesmo sabendo que meu avô proibiu isso, ela, sim, é minha amiga de verdade. Ainda deitada em minha cama que é dura feito o chão ouvi batidas na porta.
— Lia, a Larissa chegou, levante-se e arrume se. — a minha avó fala calmamente e sorrio mesmo estando um caco, tem dias que sinto me muito m*l, mas evito que a minha avó descubra ou sei que o meu avô também saberá, não preciso de mais problemas com ele.
— Obrigado vovó. — sorrio gentilmente a ela que sai, logo a minha amiga entra.
— Oiiii Lariiii. — ela entra sorridente quando me ouve, corre até mim e me abraça.
- Oi, Liaa, amiga, como está pálida, precisa tomar sol. Como está hoje amiga? — ela pergunta reparando em como ando pálida, minha avó já questionou isso, mas em meu quarto nem a luz do sol bate na janela.
— Mais ou menos, a cabeça parece que vai explodir. — ela senta-se em minha frente.
— Lia precisa falar com a sua avó… — ela me olha atenta, olha para a porta e cochicha. — Já pensou se estiver grávida? O que fará! — ela fala me deixando mais neurótica que já estou, já pensei nisso várias vezes, m*l durmo com essa dúvida e tenho muito medo de ter feito essa burrada mesmo sabendo que eu e Miguel nunca planejamos e nem falamos em filhos.
— Ninguém saberá a não ser o Miguel, não posso confiar isso a mais ninguém, e se eu estiver mesmo ele vai dar um jeito, estarei de poucas semanas, eu sei que vai. Mas queria eu mesma falar com ele sobre essa possibilidade, mas ainda não sei como escaparei daqui.
- Amiga, nem eu achei ele, o que fará? Ninguém sabe dele, ninguém sabe de nada nem o viu mais. — ela fala agoniada me deixando ainda mais em pânico. — Não é amanhã o seu jantar com o seu noivo? — ela pergunta me fazendo temer, tenho medo, mesmo ele nunca tendo feito nada contra mim, o meu avô fala demais das ruindades dele e isso me deixa ansiosa demais, me dá calafrios de considerar estar casada com alguém assim, mas tenho tentado não pensar no assunto, mas anda se tornando inevitável.
— Sim, amanhã, e daqui a 2 dias o casamento, o meu deus o que farei! — passo as mãos no rosto e na testa, não sei como farei para me livrar do que estou vivendo.
— Amiga, se eu fosse você falava a real para o seu noivo. — ela fala me fazendo olhá-la sem entender.
— Como assim? — pergunto a ela que cochicha.
— Porque não fala com o seu noivo que não é mais virgem e que possivelmente está grávida do cara que ama, explica para ele que seu avô errou ao escolher você para se casar com ele já que você já tem outra pessoa em sua vida, não é possível que ele irá querer se casar com você se souber disso. — Ouço Larissa e penso na possibilidade que é bem remota afinal o meu avô me mataria se eu abrisse a boca.
— Amiga, saio de lá sem direito a um caixão, o meu avô me joga num rio qualquer após acabar com a minha raça. — Falo o que penso. — Acha que ele não falara com o meu avô sobre isso? Não tem jeito amiga, se ele mesmo não me matar. — Tento raciocinar, mas isso tem sido um grande desafio com tudo que estou passando. — Não sei o que esperar, estou muito paranoica com tudo isso. Acredita que essa noite tive um pesadelo com ele, meu deus, foi terrível. — me lembro do meu pesadelo e penso, será que prevejo o que me acontecerá?
— Pesadelo com o seu noivo? — Larissa perguntou sorrindo.
— Sim, amiga, ele era muito c***l, ele batia-me, me enforcava e me deixava em um quarto escuro, além de dizer que o Miguel estava morto graças a minha traição. Não posso ser egoísta de pensar só em mim, preciso pensar no Miguel também. Se Andrew Hernandez descobre sobre ele tenho certeza que irá atrás. — falo pensativa. — Ou não né, quem sabe ele não se alerta de que eu não sou digna de se casar com ele. — falo sorridente, vejo esperanças, mas só amanhã saberei com o que terei que lidar, penso que foi uma boa minha avó ter marcado esse jantar já que poderei saber como é o temido senhor Hernandez.
— Amiga, penso que o seu avô tenta te amedrontar demais, não acha que ele tem segundas intenções com isso? Não é possível um cara ser assim… com os negócios dele até que vai, acredito que ele seja r**m até porque mexe com coisas indevidas, mas como marido… é surreal pensar isso.
— Acho, sim, penso que ele quer me amedrontar ou dá-me coragem para matar o meu marido enquanto dorme, — sorrio tentando amenizar. — Não é possível, eu to um caos Lari, olha as minhas mãos, agora vivo assim fria, amedrontada com o que acontecerá comigo, e se eu estiver grávida estou morta, e tenho plena certeza disso. Mas na minha cabeça penso que tenho passado por muita ansiedade e sei que os sintomas de ansiedade são diversos como náuseas, queimação, dores na cabeça, tensão, e estou passando por tudo isso, e lembra que já passei antes também. — recordo o que vivi aos meus 14 anos de idade.
— É amiga pode ser, mas também pode estar sim grávida, lembre-se que você mesma disse que você e o Miguel não usaram camisinha nenhuma vez sequer. — ela me lembra do fato que pode agora mudar a minha vida de vez, se já não bastasse eu estar preocupada com a minha sobrevivência, imagina com a de um ser tão inofensivo que não sei nem como lidar.
— Pelo amor de deus torço para não ser, não me deixa pior que estou. — falo a ela colocando as minhas mãos na barriga, não me imagino sendo mãe assim tão nova, seria demais ainda mais casada com um homem que nem conheço. Balancei a cabeça espantando a paranoia e voltei a mim.
— Sua menstruação? — ela perguntou fazendo careta.
— Ainda não está no tempo, mas também não posso contar muito com isso, a minha é toda errada, tem mês que nem vem, e era assim até mesmo quando eu era virgem, a minha avó pediu para meu avô me deixar ir no ginecologista, mas ele não permitiu. — falo relembrando, a minha vida poderia mudar para um pouco melhor, penso que já sofri demais nas mãos do meu avô, estou até acostumada com a vida me dando rasteiras, mas estar grávida seria a pior delas. Larissa foi até o banheiro da casa, mas ela foi na intenção de saber como estava as redondezas do meu quarto, aqui para conversar temos que cochichar já que as paredes tem ouvido de cobra, o meu primo está sempre de olho em tudo. Ela voltou e entrou sorridente. — Trouxe o celular? — perguntei a ela.
— Sim amiga, aproveita, a Léa não está, sua avó está ocupada com a comida e seu primo não está na porta, seja rápida. — ela fala me dando a esperança que enfim ouvirei a voz do Miguel. Liguei para o seu número que até sei de cabeça, ele não atendeu a primeira ligação.
— Ai, Lari, ele não atende, que saco ele vive com o celular na mão. — reclamo ansiosa, eu já estava na quinta tentativa quando ele atendeu, mas a ligação ficou muda, parecia esperar que eu falasse.
Ligação
— Miguel? — falo com um sorriso na voz, mas não obtive retorno, então falo novamente. — Sou eu, meu amor, sou eu, Lia, fale comigo, está me ouvindo. — falo baixinho, mas nada de ouvir sua voz.
— Onde está meu filho sua v***a! — fico perplexa ao ouvir a voz de sua mãe, mas como assim, por que ela me pergunta onde ele está se está com o seu celular?
— Por favor, não tenho muito tempo, onde está o Miguel! — tento amenizar para saber se entendi m*l.
— Vou acabar com a sua vida, da mesma maneira que você acabou com a vida do meu filho entendeu sua… — desliguei a ligação apavorada com o que ela me disse e também por ver uma sombra por baixo da porta e a Lari também viu, o jeito foi desligar o celular e escondê-lo. Logo a porta foi aberta pelo Bruno, e eu estava suando frio de tão desnorteada, alguém acorde-me desse pesadelo!
— Estão caladas demais. — ele entrou me deixando totalmente abatida, já não basta o que ouvi da mãe do Miguel, não conseguia disfarçar a aflição que estava sentindo.
— Já conversamos muito, agora estamos caladas, porque não pode. — ele arrancou a arma do coldre e estendeu ela, se aproximou, puxou os meus cabelos para trás erguendo o meu rosto para ele enquanto a Larissa via tudo aflita.
— Para com isso Bruno. — ela fala amedrontada colocando as mãos no rosto, mas já estou acostumada com a fúria do meu primo, já ouviu que cão que late não morde? Ele é bem assim.
— Me responda direito v***a. — Ele coloca a arma embaixo do meu queixo, aproxima o seu rosto do meu e morde os meus lábios, mas cuspi em seu rosto.
— Tira as mãos de mim noj'ento. — ranjo entre os dentes.
— Você é e sempre será minha, você verá. — ele solta os meus cabelos bruscamente atingindo um tapa em minha cabeça desarrumando os meus cabelos, penso que só fez isso por ver a nossa avó na porta.
— Saia daqui, agora Bruno! — ela grita, ele sorri debochando e sai pela porta, esse casamento tem algum benefício, livrar-me desse nojento que age como se eu fosse sua propriedade.