5 – Não vou deixar você ir embora

1012 Words
(22 de abril de 2017, Sábado)             As mãos dela suavam frio, ainda tenta se convencer de não fazer aquilo, mas agora já é tarde, está em frente ao prédio de Emma, apenas a esperando descer. Franchesca respira fundo, é agora ou nunca, tem que dizer adeus. Há muito tempo não sentia aquelas sensações boas, sorrir feito uma boba para alguém ou até mesmo se imaginar com um futuro. - Eu sou uma m***a por pensar essas coisas.             Ela é tirada de seus pensamentos quando ver alguém batendo no vidro da janela do carro. Tão perfeita que o coração da morena se aperta com a possibilidade de nunca poder provar da totalidade que é estar de corpo e alma com aquela mulher. – Olá.             A loira diz ao entrar no carro e beijar a bochecha da outra. - Oi, para onde vamos? - Restaurante italiano, gosta? - Adoro massas. - Perfeito, eu te guio pelo caminho e a propósito, adorei o seu carro, você é uma magnata do petróleo?             As duas começam a sorrir, Franchesca possui uma BMW M3 sedã vermelha. - Não, eu não sou, porém tenho dinheiro, muito dinheiro. - Olha só, então estou com a garota certa. - Eu sabia que você estava saindo comigo só pelo meu dinheiro. – A morena entra na brincadeira. - Ah, claro, até porque eu sei tudo da sua vida. - A loira fala sem pensar, só então se dá conta da besteira. – Desculpe, desculpe, esquece o que eu disse. Hoje pretendo te convencer a ficar e não te mandar embora. - Tudo bem.             Franchesca fala seriamente e dá a partida no carro. Emma lhe indica o caminho, logo estão em um lindo restaurante, as reservas no nome da loira são acionadas, depois de sentadas pedem uma garrafa de vinho. - Gostou daqui? - Sim, é interessante. – A morena responde. - Ok, o que vai pedir? - O que você pedir está bom. - Você é sempre assim, ou está tentando estragar o nosso encontro para complicar o meu lado? - Então isso é um encontro? – Franchesca encara a loira e deixa o líquido vermelho descer por sua garganta, fazendo Emma engolir seco, ela precisa sentir aqueles lábios. - Achei que isso tinha ficado claro.             Elas se encaram intensamente, cada uma tem sua dúvida particular.  A loira quer entender a mulher, desvendá-la, quer simplesmente entender porque se sente tão atraída. Emma não é uma pessoa tímida, nunca foi, mas ainda assim nunca deu em cima de uma mulher com essa facilidade, sua vontade de conhecer a morena é tanta que a faz agir, ela precisava falar, sentir, comprovar que sentia atração por aquela pessoa, até então desconhecida, Franchesca Lambert é um enigma que a loira faz questão de desvendar. Já a milionária, bom, seus medos sempre falaram mais alto, no fundo não quer ser amada, não quer se permitir ser feliz, para ela a eternidade não é castigo suficiente, tem que sofrer mais do que já sofreu, pagar cada gota de sangue que derramou no passado, passado esse que a assombrará pelo resto de sua vida. As duas mulheres não falam mais nada, a comida é servida e elas degustam em silêncio, quando terminam ficam se encarando ao beber do delicioso vinho. - Você poderia começar falando onde você mora. - Para que quer saber onde eu moro? Até onde eu sei o plano é eu desaparecer depois desse encontro. - Porque você insiste em se privar de sentir? Está bem claro a tensão entre a gente, somos mulheres independentes, solteiras e que querem a mesma coisa. – Esse mistério deixa Emma cada vez mais interessada. - Eu já disse, Emma, é para o seu bem, pode acreditar. - Você tem medo de amar? – A pergunta foi direta, mas esse não é o medo da morena. - Não Emma, eu não tenho medo de amar, eu tenho medo de ser amada. ..........*****.......... - Você quer entrar?             Emma encara a morena, estão no carro já em frente ao prédio da loira. Claro que a resposta para aquilo seria não. Depois da confissão de Franchesca as coisas ficaram complicadas, elas m*l falavam e cada olhar dizia que o silêncio era a melhor opção. - Você sabe que não posso, está ficando cada vez mais difícil ir embora. - Fique!             Emma vai se aproximando. A morena respira fundo e encara aqueles olhos castanhos, tão linda, tão intensa, tão dela. Franchesca coloca sua mão no pescoço da loira e passeia seu polegar por sua bochecha. - Não faça isso, Emma. - Eu não consigo evitar, eu não quero evitar. - Se fizer isso não iremos mais parar, você não entende. - Faça-me entender, Franchesca, porque se não me der um bom motivo eu não vou te deixar embora. - Eu... eu... - Nem você quer isso. Nem você quer ir embora. - Não se trata de querer. - Você me deseja assim como eu te desejo, nos dê uma chance, apenas uma e eu posso te provar que seus medos nunca mais falarão mais alto.             A loira encosta a testa na da morena e suspira, ela não avançaria, apesar de seu corpo e sua alma clamarem por aquele contato, ela não o faria. - Se eu fizer isso... se eu deixar, vamos nos machucar, é sempre assim. - Eu tomo as minhas decisões, Franchesca, sempre faço.             A morena se afasta e encara a loira. Agora colocando a outra mão na posição da nuca, segurando seus fios dourados. Aquele olhar lhe dizendo tantas coisas. Aquela boca tão próxima, aquele corpo que a faz estremecer, é uma tentação que não pode e nem quer evitar. - m***a, m***a, m***a. – A morena fecha os olhos. – Espero que esteja ciente dos riscos, Emma, porque depois que eu te beijar não vou querer mais parar. - Não quero que pare, quero que me tenha, Franchesca, quero que me deixe tê-la.             E sem esperar mais a morena avança nos lábios da loira, provando do sabor adocicado daquele sensível toque, elas só precisavam se provar que apesar dos medos e incertezas poderiam fazer dar certo, e bom, elas tinham razão. - Eu não vou mais deixá-la ir embora, Emma, eu não vou conseguir.
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