Anjo.

1066 Words
Cheguei mais perto dela, ela continuou parada encarando o nada, parece que evitava até me olhar diretamente. _ Vou te levar pra minha casa, não faz muitas perguntas, não seja curiosa demais e nem faça o que não deve, assim tu vai viver muito... Eu nem terminei a frase, perdi o raciocínio quando ela finalmente me encarou, os olhos verdes, tipo esmeralda, só aí eu notei que a criança era linda demais, os traços dela deixavam evidentes que nem do Brasil ela era, eu tinha certeza que estava me metendo em uma merda muito grande. Um gesto de cabeça, só isso que eu recebi, silenciosamente andei até minha moto, ela veio atrás arrastando a mala que tinha quase o mesmo tamanho que ela, tava curioso pra saber o que tanto ela havia trago mas decidi ficar na minha, não era da minha conta. Subi na moto, ajudei ela a subir também. _ Acho melhor deixar a mala aí que o LK leva. Ela balançou a cabeça que não e com dificuldade conseguiu segurar a mala entre minhas costas e o corpo dela, dei de ombros, se ela caísse não seria culpa minha. Acelerei indo em direção a minha casa, as mãos delas pequenas agarraram minha blusa, o toque era leve, quase imperceptível, como se ela não quisesse que eu sentisse que ela segurava em mim. Questão de minutos já estava em frente ao portão de casa, ajudei ela descer, ela parou esperando eu descer também e depois me acompanhou até a entrada, abri a porta fazendo sinal pra ela entrar. Em silêncio ela entrou e parou ao lado do sofá, cruzou as mãos na frente do corpo como se esperasse pelas próximas ordens. Eu me perguntava que tipo de criação aquela criança teve para agir como se fosse um soldado em campo seguindo instruções dos seus superiores. _ Bom, essa vai ser sua casa por enquanto, vou te levar até o seu quarto. Ela me acompanhou de novo em total silêncio, arrastando a mala sem dificuldade, parei do lado do meu quarto, abri a porta e pedi para que ela entrasse. _ Esse é o seu quarto, pode andar livremente pela casa só não pode entrar no meu quarto, mecha no que quiser só não faça bagunça e o principal, não tire a paz desse lugar. _ Posso comer alguma coisa? Pela primeira vez eu ouvir a voz dela, era doce, combinava com a aparência bonita que ela tinha, a expressão dela parecia carregada de algo indecifrável mas a voz era doce como a de um anjo. _ Vou preparar alguma coisa pra tu, toma um banho e desce. Ela assentiu e eu saí do quarto deixando ela ali sozinha. Fui na geladeira, peguei queijo, presunto, outros bagulho que serviria pra fazer algum lanche que enchesse a barriga dela e comecei a fazer tudo. Na verdade eu quase nunca usava aquela cozinha, geralmente eu pedia marmita, ou só comia em algum restaurante do morro, nunca tinha tempo de vim em casa cozinhar, pra mim isso era raridade. Fiz um suco natural, imaginei que criança não podia tá tomando tanto bagulho processado então servir num copo e coloquei tudo ali em cima da mesa, foi o tempo certo dela tomar banho e descer as escadas de cabelo úmido vestida em uma calça e uma blusa de manga longa, não entendi o porquê já que fazia calor mas não quis questionar. Ela sentou na cadeira, pegou o garfo e comeu com vontade, parecia que a garota tinha saído de um cativeiro, eu até pensei que ela comeria o prato de tanta vontade que ela demonstrou ao comer toda a comida que tinha ali. Essa situação tava me deixando ainda mais cabulado, alguma coisa terrível tinha acontecido e eu não fazia ideia do que. Depois de comer ela se levantou da cadeira, agradeceu com um gesto de cabeça e em silêncio foi até a pia, lavou o prato, o copo, os talher e subiu para o quarto como se eu nem tivesse ali. Minha cabeça a cada segundo criava uma teoria diferente, tava tudo estranho, a criança era estranha, a situação era estranha, o fato de ela estar aqui é estranho, tudo tá estranho. Peguei a chave da moto e desci pra boca, ao menos lá eu podia pensar melhor longe dessa garota e da sensação r**m que ela exalava, algo nela gritava problema a todo minuto e eu não aguentava mais isso. LK tava lá já me esperando, assim como eu deu pra ver que ele também tava perdido com aquela situação. _ Então? A garota falou alguma coisa? _ Só que tava com fome. - Suspirei sentando na minha cadeira, minha cabeça ia explodir de tanto pensar. _ Tem alguma coisa aí cara, não sei não, mas algo me diz que vai surgir problema, pode não ser agora, mas algum dia vai. _ E você acha que não tô sentindo a mesma coisa? Só não sei o que fazer, é só uma criança, e pelo que deu pra ver parece que ela foi treinada pra ser um soldado, obedece sem questionar, não fala o que não deve e não conversa nada mais que o necessário, e o pior disso tudo é que não dá pra saber de onde ela veio e porque tá aqui. _ O que vai fazer? - LK fez a pergunta que até eu mesmo me questionava, o que fazer? Na realidade não tinha outra opção. _ O que Boaz pediu, cuidar dela, manter a garota viva, não tem outro jeito. _ Cê tá se metendo em roubada cara, isso tá com cheiro de problema, e dos grandes, não quero nem ver no que tudo isso vai dar. Eu concordava com LK, mas o que eu podia fazer? Era uma criança, se ela tava aqui era porque não tinha pra onde ir e se eu mandasse ela pra rua com certeza alguma merda aconteceria com ela e minha consciência ficaria pesada. Apesar de ser um ser humano podre, que mata sem compaixão, eu jamais faria m*l a um ser inocente como uma criança, e algo naquela criança gritava para que eu acolhesse, mesmo sabendo que algum dia isso daria muito m*l. Restava a mim somente seguir o rumo do destino, e que destino filho da p**a, minha vida virou de cabeça pra baixo em uma manhã e tudo por conta da p***a do destino.
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