Fantasma.

1046 Words
Hades_ Tava na boca cheio dos meus pensamentos, às vezes parecia que o mundo parava, eu me encostava na cadeira e pensava em tudo que tinha acontecido na minha vida. Cresci órfão, sem pai, mãe, nunca conheci nenhum dos dois, na verdade eu não tinha lembrança nenhuma de quem poderia ser, a única coisa que eu sei é que tinha vindo parar aqui ainda quando era criança. Eu nunca procurei saber muito deles, eu sabia que poderia descobrir quem eram se eu tentasse procurar, mas eu não fazia questão. O que me deixava louco era que em cinco anos eu não descobri absolutamente nada de Persi. Não havia nada, nenhuma informação, nada que algum curioso soubesse, era como se a garota fosse um fantasma, absolutamente ninguém sabia da existência dela, eu tentei todas as maneiras por cinco anos, até tentei algumas vezes arrancar a verdade dela, fazer ela falar através do medo, não funcionou. A cada dia que passava eu ficava ainda mais doido, tinha dias que a minha mente parava só de pensar no que poderia acontecer quando eu descobrisse finalmente a verdade. _ Oi amor. A porta se abriu sem aviso, me tirando do transe em que eu estava, olhei de relance, Natália entrava pela porta, com uma saia minúscula, uma blusa curtinha que m*l tampava os s***s e com a habitual fala de p**a, aquilo me enjoava. Claro, ela sabia satisfazer bem as vezes, vez ou outra eu me aliviava quando ela vinha aqui, outras vezes eu só tinha vontade de matar ela e sumir com o corpo. _ Vaza Naty, não tô com cabeça pá tu hoje não. - Falei já no ódio, eu sabia que ela não sairia se eu não mostrasse que realmente estava com raiva. _ Está muito estressado gato, precisa liberar o estresse, que tal fazer isso com seu p*u dentro da minha boca. - Os olhos dela reviraram, eu também revirei os olhos mas foi de cansaço, as vezes eu ainda me perguntava por que relacionar com uma mulher melosa como ela. A Naty era bonita, corpo esbelto, cabelo preto, liso, que ia até a cintura, qualquer um sentia desejo por ela e é claro que qualquer vapor ou bandido do Rio já tinha passado a mão naquele corpo. Por isso que ela parecia ainda mais enjoada, o fato de ter passado pelas mãos de todo tipo de bandido fazia ela achar que tinha poder de sair e entrar de onde quisesse quando quisesse, comigo não era assim, mas ela sempre tava me testando. _ Cai fora c*****o, falei que não te quero aqui e quem tu acha que é pra entrar na minha sala sem nem bater na porta? - A olhei com meu melhor olhar de fúria, ela continuava lá, com a cara de b***a fazendo ou ao menos tentando fazer careta fofa, aquilo me dava náuseas. _ Que isso Hades, pensei que eu era sua favorita, não pode me expulsar assim. _ Favorita? Ficou maluca? Não transei com você mais que duas vezes garota e já se acha no direito de entrar na minha sala a hora que quer e sem ser avisada? _ Se me expulsar assim não volto mais, vai ficar sem seu alívio. _ Claro, você vai me fazer um favor, mete o pé p***a. Falei alterado, ela saiu da sala batendo o pé, com o bico que andava dois passos a frente dela, balancei a cabeça em negação, eu não sabia como diabos fui me envolver justo com uma p**a como ela. Eu era o tipo de cara que não se amarrava a nada nem a ninguém, quem ama é fraco, pessoas fracas tem tendência a cair mais rápido, já que tem um ponto fraco, e eu? Eu não pretendia ter nada disso, não queria amar, não queria ter um relacionamento profundo com mulher nenhuma, nem filhos. Eu não queria nem herdeiros, nunca quis. Pra mim o mundo em que eu vivo é c***l demais pra trazer uma mulher ou uma criança pra esse mundo, prefiro viver só, sem arrependimentos, sem amarrações, sem nada que me prenda, assim acho que vivo bem melhor. Sempre achei f**a os bandidos que tinham suas famílias, mas quando comecei a perceber que ter família, significava sofrimento nesse mundo do crime, eu desisti de ter qualquer sentimento que remetia a família dentro de mim. Claro, eu tinha meus parceiros e irmãos dentro do mundo torto que eu vivia, LK era um deles, teve do meu lado desde que eu me lembrava, sempre fomos irmãos, e isso nunca vai mudar, ainda assim, eu preferia continuar sem nenhuma amarra. A mente mais uma vez vagou pelas incertezas da existência de Persi, aquela garota continuava um enigma, e eu tinha a impressão que mesmo se eu torturar ela por dias, semanas, e até meses, ela jamais falaria se quer qualquer palavra sobre quem era. LK entrou na sala sem bater também, como se fosse dono da p***a toda. _ Qual é c*****o, minha sala virou o que agora? Ninguém bate nessa p***a antes de entrar não? _ Que isso irmão, tá precisando de f**a hoje em, tá estressado demais. _ Vai se fuder LK. _ É a Persi né? Você ainda não se contentou em não ter encontrado absolutamente nada sobre ela. - LK afirmou já sabendo o que tava me deixando puto, nos últimos anos ele sabia que a única coisa que tava me deixando intrigado era o fato de que aquela garota existia e ao mesmo tempo parecia ser um fantasma. _ Quando eu finalmente conseguir descobrir quem é essa garota tenho quase certeza que vai ser quando o mundo tiver explodindo pelo fato de eu ter acolhido ela, essa merda vai acabar me deixando louco. _ Quanto ao Boaz? _ O desgraçado sumiu no mata, ninguém viu, ouviu, sequer sabem o contato dele, ele apagou qualquer rastro de vivência dele de qualquer lugar, cada dia que passa eu sinto que o problema só cresce. LK ficou quieto, ele parecia pensar se diria algo ou não sobre o que estava pensando, como se estivesse em um impasse. Eu conhecia ele muito bem e eu sabia que quando ele pensava assim era porque realmente tinha alguma lógica, ele geralmente nunca pensava em algo que não tivesse sentido.
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