POV: Ryan Olho para a multidão espremida nas arquibancadas de cimento e, pela primeira vez desde que sentei na cadeira de dono, sinto que a Fortaleza tá fazendo justiça por conta própria. Não é por medo do fuzil do Gardenal, da pistola na minha cintura ou das nossas peças na contenção. É escolha deles. Eles viram as mensagens falsas, escutaram o migué do Léo e, agora, viram o sangue do Marcos desenhado em linha vermelha grossa naquele retalho de linho branco. A verdade bateu limpa no peito de cada morador, de cada soldado e de cada gerente de área. O Léo tá parado no meio do cimento da quadra de esportes, cercado pela rapaziada do JP. A máscara dele de conselheiro amado derreteu por completo debaixo do sol das dez da manhã. Os olhos dele estão opacos, frios, vazios de qualquer simpatia.

