Apresentação
"Sempre quis estar livre dos pensamentos que me vêm a cabeça, estou a perder a minha sanidade mental, não gosto nada disto. Escuto os gritos do além em toda madrugada na mesma hora que o meu relógio localizado perto da minha cama exibe. Estou totalmente cansado de viver, quero é morrer agora e desaparecer deste maldito mundo." — Redane Gulfully.
2030, 07, Janeiro, Bairro Cimento, 14:30
Uma mão n***a firmava o retrovisor central dentro do carro, Lamborghini Tron, de cor azul, enquanto isso o vento suave passeava pelas areias lindas do Bairro Cimento e o sino da igreja católica soava anunciando as horas, 14:30. A outra mão foi ao porta luvas e de lá tirou um flash que ostentava a imagem de um cantor muito famoso em Moçambique, Ovax-Man. Um jovem cantor, Pop, Rap, RnB e Pandza. 2030 era a era do jovem talentoso que viajava por muitos países exibindo a sua classe.
Inseriu o objeto no dispositivo apropriado para este reproduzir o som, depois se espelhou no mesmo retrovisor, os óculos naquela cara que trazia uma expressão preocupada e séria, brilhavam.
Estava a espera de alguém, alguém muito especial, talvez a sua linda esposa dos cabelos crespos e longos. Porém, outra coisa ocupava espaço na sua massa cinzenta, algo que lhe preocupava.
— Estamos atrasando. — disse o homem, com a sua voz de tom de ordem.
Levou o telefone e mandou mensagem:
"Seja rápida, vamos atrasar ao cinema."
Havia muito tempo que os dois não saiam como um casal, o tempo era consumido pelo trabalho, toda hora os dois se encontravam distantes, e a relação estava sendo afetada pouco a pouco, estava arrefecendo de maneira que a mãe do Slayer dizia. No entanto agora era a hora ideal para sair, fazer uma coisa diferente, sair da rotina, até talvez praticar uma atividade lúdica.
Em menos tempo entrou a resposta:
"Já estou saindo meu amor."
O homem se espelhou novamente, o cheiro do seu perfume circulava penetrando nas suas narinas, este sentia prazer em inalar aquele aroma. Havia feito a sua barba grisalha. A barba se tornara daquele jeito de um modo precoce, não era uma idade ideal para ter uma barba grisalha, ele tinha 30 anos de idade. O terno em seu corpo se apresentava perfeitamente, ele parecia janota.
Olhou pelo vidro do lado esquerdo e viu a empresa African Chicken, bem desenvolvida, o tempo voou muito, Moamba, agora estava desenvolvido, na verdade todo o país, Moçambique. Agora já não era necessário viajar até Maputo para poder ter acesso ao cinema, pois o cinema se encontrava não muito longe. No Bairro 25 de Junho se localizava o cinema, Cinema MoB.
Não demorou e a mulher do homem que estava no carro veio rapidamente em cima dos vermelhos lindos saltos. Estava literalmente bonita. Os seus passos mostravam o gingar, um andar ensaiado e de causar inveja a todas as mulheres, talvez por ser uma aspirante a jornalista.
— Uau, que bonita minha Matilde Slayer! Assim tenho certeza que estar em frente as câmeras é teu destino. — disse o homem ao ver a esposa e abrindo a porta para ela.
— Muito obrigado meu Joaquim Slayer. Tu sempre exagerando na dose dos teus elogios. — disse com um sorriso no rosto e segurando o seu enorme vestido.
— De nada.
Ela entrou, Joaquim fechou a porta e o carro arrancou pelas ruas do bairro cimento, com destino bairro 25 de junho.
***
2030, 07, janeiro - Hospital
Bairro 25 de Junho 14:35
Com a cor mais positiva, cor branca, circundando todo canto daquele lugar destinado a receber gente com problemas a ser resolvidos, outros sem solução esperando que a morte lhes levasse de uma vez por todas. Passeavam por ali a mesma gente assolada pelas malditas doenças existentes pelo mundo.
O mesmo local por onde senhor Slayer trabalhara por 5 anos, ele era polivalente, trabalhando em muitas áreas da saúde dentro do atual desenvolvido hospital de Moamba, se encontravam internados dois senhores que foram tirados de uma igreja, Igreja Crentes Assíduos, o senhor Ngoveni e o senhor Muguadi.
Perto do quarto número 4, no corredor, encontrava-se uma médica e uma pessoa que parecia estar ali para visitar um ente querido. No mesmo corredor outros funcionários de limpeza realizavam as suas funções devidamente.
A médica tinha uma cara simpática, era uma pessoa sorridente, sempre ostentando o seu belo sorriso. O seu corpo fino e elegante chamava atenção de muitos homens. O batom vermelho combinava com o seu tom de pele. O seu cabelo crespo em tranças abstrusas, brilhava. Porém logo que saiu de uma sala o cobriu.
O visitante caminhou até a médica.
- Boa tarde.
- Boa - disse a médica, ajeitando o cabelo no branco chapéu usado pelas médicas.
Os olhos do visitante iam em direção do quarto número 4. Então a médica disse:
— A recuperação dos dois está sendo muito rápida. Mas o que aconteceu de facto? — perguntou a médica.
— Dizem que isso aconteceu durante aquele processo, como se chama mesmo? Aquele processo de tirar um demônio.
— Exorcismo!
— Isso mesmo.
— Afinal, você não estava lá no momento que o facto ocorreu?
— Não, eu estava em casa, recebi uma chamada do senhor Slayer me informando acerca disso. Acho que ele virá até aqui para visitá-lo.
— O senhor em causa é seu pai, não é?
— Desculpa, não percebi?
— Eu perguntava, o senhor que está neste quarto, quarto número 4 é seu pai?
— Sim é meu pai. É obvio né?
— Sem dúvidas, os traços de ambos são idênticos.
— Eu sei, por essa razão muitos nos chamam de "gêmeos de épocas diferentes."
— Interessante, gostei da expressão se tivesse alguma i********e com o senhor de certeza que também usava, mas...
— Pode usar a vontade, até gosto, aliás, gostamos de sermos assim chamados, é engraçado.
— Pois é.
De repente soou um ruido muito forte.
— OVAX-MAN, OVAX-MAN, OVAX-MAN. — um grupo de gente passou gritando e levantando placas nas mãos.
— É o Ovax-Man, é o Ovax-man. — disse a médica, parecia que não estava acreditando no que estava ouvindo.
— Sim, é ele.
Ovax-Man fazia composições de boas músicas que eram por ele mesmo cantadas e encantando muitas pessoas, escrevia em Inglês, Xangana e Português. As suas músicas traziam boa mensagem e eram capazes de fazer a maioria das pessoas dançar. Exceto uma que tinha uma letra bem bizarra.
Agora o famoso dono da voz linda passava pela estrada principal de Moamba que fazia divisão entre o Bairro Cimento e o Bairro 25 de Junho.
— CORRAM VAMOS, VAMOS. — gritaram alguns funcionários correndo em direção da saída.
Cinema MoB
— Seu i****a, agora quero acabar com toda a sua vida, ha, ha, ha, achavas que essa barganha terminaria de uma forma agradável? Vocês humanos são tão burros, acreditando em todo tipo de negociação, nós somos de Inoinfer, o planeta mais grande e desenvolvido do universo. — disse o extraterrestre.
A criatura tinha a forma humanóide, todavia a sua cabeça tinha um formato triangular e as suas mãos eram enormes.
O homem pegou numa espada, com a cor amarela na lâmina que emitia um brilho nos olhos do extraterrestre.
— Chega de blá, blá, blá e vamos resolver isto aqui de uma vez por todas. — disse o terreno, chamando o inimigo com gestos.
— Parece que tens muita confiança pobre humano, só por ter esse fato ridículo que te torna em um herói. Okay, vamos a isso seu verme, eu ansiava muito por este momento.
Em simultâneo os dois avançaram na ofensiva.
— Aaaaaaaaaaaa... QUEBRA OSSO — gritou o homem, já com a espada apresentando outro formato, sendo que agora o objeto tinha a aparência de martelo.
— Acha que vou cair num golpe anunciado?
O extraterrestre esquivou sem esforço e com uma das suas mãos enormes manteve contato com as costas do homem, um contato que causou impacto deixando o terreno ser verificado a percorrer uma distância de 11 metros pelos ares.
— Não. — uma voz na segunda fila dos telespectadores, disse.
— Calma, Matilde, ele vai se recuperar logo, logo. — disse Slayer abraçando-a.
O cinema estava cheio, o filme que estava passando era uma continuação pertencendo à saga de "Contra a Eversão." Olhos observavam-se atentos dentro de óculos que lhes permitiam ter uma visão tridimensional.
— Eu sei.
— Mati, volto já vou ao WC.
— Está bem.
Slayer, foi até a WC, entrou, fechou a porta e trancou.
O enorme espelho olhava para ele com toda a sua imagem, o homem colocou as suas mãos por baixo da torneira e automaticamente a água começou a escorrer, assim começou a lavar a cara. De repente no canto do olho direito conseguiu ver uma coisa, um líquido muito familiar, que sempre tinha a oportunidade de ver no seu setor de trabalho, a cor era vermelha. Usou o melhor raio da sua visão para ter certeza sobre aquilo que observava. Sim, era sangue. No canto do espelho.
— O que terá acontecido neste lugar? — se perguntou.
Depois enrolou um papel higiênico e limpou aquele líquido humano. Feito aquilo colocou o mesmo papel na pia e fez o manuseio da descarga.
Voltou a lavar as mãos, a temperatura dentro do WC começou a cair drasticamente.
— Por favor, abre a porta! — disse uma voz doutro lado da porta.
— Está bem. Estou saindo.
O senhor Slayer saiu, e depois de ter deixado aquele lugar a sua cabeça começou a dor.
— CLONE INFINITO... E TOMA
— gritou o herói, triunfante.
Apareceram várias copias do herói que atrapalhavam o inimigo com grande eficácia.
— O QUÊ? VOCÊ ME ENGANOU, PORCARIA DE MERDA!!
— HA, HA, HA, EU SOU MIGHTY - ONE, ONDE ESTOU O SOFRIMENTO DESAPARECE. — disse o terreno saltando para realizar um ataque contra o seu oponente — SUPER, HIPER, ESMAGA OSSOS.
Muitas pessoas estavam ali presenciando a luta dos dois oponentes.
O ataque tão forte atingiu o inimigo que voou a uma velocidade da luz, fora da orbita da terra, assim desaparecendo.
— Ele conseguiu. — disse um grupo no local nas proximidades do MIGHTY - ONE.
Slayer voltou ao local onde a sua esposa se encontrava.
— Já voltaste? - perguntou Matilde.
— Sim. Está gostando do filme?
— Claro, esqueceste que ação é o meu gênero favorito? Bela escolha, eu amo este herói, Might - One, não perdi por nada o primeiro filme da saga, e pela informação que recebi ontem na internet, o roteirista Jean Leen, tem a ideia de nos presentear com uma terceira sequência.
— Jean Leen. Ya é um grande roteirista mesmo, tendo escrito milhares de obras de vários gêneros, tendo a maioria, terror.
Na tela apareceu a última palavra a ser usada em muitas coisas, FIM
Uma salva de palmas ecoou pelo espaço.
— Foi um filme fantástico, vou usar... Vou usar este filme para o trabalho da faculdade.
— Trabalho da faculdade? É pra fazer uma resenha de um filme?
— Exatamente, o que mais nos interessa é a mensagem que o filme tenta nos mostrar. E nesse aspecto esse filme toca efetivamente. E você, gostou do filme?
— O que você acha?
— Não sei.
— Eu sabia que tu dirias, "não sei." Mas gostei sim, do filme, trás consigo uma bela mensagem.
15:50, 07, Janeiro, 2030
Matilde caminhava com o seu andar muito semelhante ao andar da sua avó Novunga, tão elegante, com curvas quase perfeitas que impressionavam à qualquer homem e até mesmo as mulheres, a maioria das mesmas tinha um sentimento chamado inveja, inveja da beleza dela, da sua "quase perfeição." O vestido da mulher brilhava na luz do sol que se tornava cada vez mais preguiçosa na medida que entardecia.
Os dois entraram no carro e o Slayer arrancou o carro.
Havia muito movimento pelas ruas, as pessoas queriam assistir o show do grande astro moçambicano, o Ovax-Man.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Slayer.
— Não sei, talvez há um show ou uma coisa parecida.
— Podemos descer aqui para ver o que está acontecer?
— Não. Estou cansada, é melhor a gente ir diretamente pra casa, tenho que descansar.
— Okay, Mati, vamos sim.
22:53, 2030, 07, Janeiro
O senhor Slayer estava no seu escritório escrevendo alguma coisa, a casa inteira estava muito calma, a esposa dele possivelmente estava dormindo. O homem levantou até a cozinha, a luz estava começando a oscilar.
— O que se passa? Será que ainda temos problemas com o contador? — se questionou.
Entrou na cozinha e de repente ouviu algum objeto de vidro caindo e produzindo um fragor.
A luz parou de oscilar e Slayer viu um copo no chão convertido em partículas. O homem pegou a cabeça e a sua expressão facial tomou outro comportamento, ele estava sentindo uma forte dor de cabeça. Saiu da cozinha, foi até dispensa e de lá saiu com vassoura e pá para apanhar os estilhaços de vidro. Mas quando estava prestes a sair observou uma coisa muito estranha. Uma chávena sobre a mesa tinha vestígio de algo vermelho.
— O quê é isso? — se questionou.
Se aproximou, com cuidado pegou o objeto e examinou, o resultado foi: Sangue.