CAPÍTULO 26 — UM DIA SIMPLES, UM AMOR CALMO

769 Words
A manhã seguinte amanheceu ensolarada, o céu limpo como se a chuva da noite anterior tivesse lavado tudo — as ruas, o ar, os medos. Quando Hana abriu os olhos, o primeiro pensamento que veio não foi dor, nem dúvida, nem lembrança r**m. Foi um nome. Ji-Won. Ela se espreguiçou, sentindo algo no peito que há tempos não sentia: leveza. O celular vibrava na mesinha. Uma mensagem simples, mas que fez o coração dela sorrir: “O café ainda é melhor quando você está nele. Te espero às 9.” Ela sorriu sozinha. Primeiro encontro oficial. Sem planos de trabalho, sem segredos, sem desculpas — só os dois. ⸻ O café escolhido por Ji-Won não era o luxuoso de costume. Era pequeno, cheio de plantas e com música suave tocando no fundo. O tipo de lugar que parecia respirar calma. Quando Hana chegou, ele já estava lá. Casual, com as mangas da camisa dobradas e o sorriso mais tranquilo que ela já tinha visto nele. Nada de postura rígida, nada de formalidade — só o homem que aprendeu a se permitir ser. — Pensei que você gostava de lugares silenciosos — ela brincou. — Eu gostava — ele respondeu. — Mas ultimamente tenho aprendido a gostar de lugares com som. Principalmente o da sua risada. Hana riu, balançando a cabeça. — Você ficou terrivelmente bom com palavras. — Culpado. — Ele levantou as mãos, divertido. — Tive uma boa professora. O garçom chegou, e os dois pediram o mesmo café com leite e bolo de amêndoas. Simples, doce, perfeito. Enquanto esperavam, Ji-Won observava Hana com um olhar tranquilo, quase encantado. Ela notou e arqueou uma sobrancelha. — O que foi? — Nada. — Ele sorriu. — Só estou tentando gravar essa cena na memória. — Por quê? — Porque por muito tempo, quando eu pensava em futuro, via planilhas. Hoje… vejo isso. O coração dela apertou. E, ao mesmo tempo, se abriu. — Cuidado — ela disse, fingindo leveza. — Isso soa como confissão perigosa. — Então eu confesso direito. — Ji-Won se inclinou um pouco. — Eu amo isso. Amo estar aqui. Amo… você. O tempo parou. As palavras ficaram flutuando no ar, suaves, mas com o peso exato do que é verdadeiro. Hana piscou, surpresa, e o sorriso veio devagar. — Você escolheu um bom momento pra dizer isso. — É que eu aprendi que não existe hora certa — ele respondeu. — Só o medo errado. Ela o olhou por longos segundos antes de dizer: — Então… obrigada por ter coragem. O garçom chegou bem nesse instante, interrompendo o silêncio doce. Os dois riram juntos, quebrando a tensão, e o clima voltou a ser leve — mas o mundo já tinha mudado. ⸻ Depois do café, caminharam pelo parque próximo. O vento balançava as folhas e o som da cidade parecia distante. Sem perceber, os dedos deles se entrelaçaram de novo. — Sabe o que é engraçado? — Hana disse. — Quando eu te conheci, eu não suportava você. — Eu lembro. — Ji-Won riu. — Você me olhava como quem queria me processar. — Eu ainda posso — ela provocou. — Eu prefiro que me perdoe. Hana olhou para ele, e o riso se transformou em algo mais terno. — Eu já perdoei, Ji-Won. Só estava esperando você perceber. Ele parou de andar, puxando-a suavemente pela mão. — Eu percebi. Tarde, mas percebi. O vento soprou entre eles. Ji-Won levantou a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — E agora? — Hana perguntou, num tom leve, mas com o olhar profundo. — Agora eu só quero te ver sorrir. Todos os dias. Ela riu, encostando o rosto no peito dele. — Isso é um plano ambicioso. — Eu sempre gostei de desafios. Ficaram ali por minutos, abraçados no meio da rua calma, o mundo correndo ao redor sem pressa de atrapalhar. Era simples, era bonito, era real. O tipo de amor que não precisa de promessas — só de presença. ⸻ Quando se despediram, Ji-Won segurou o rosto dela entre as mãos e a olhou como se quisesse decorar cada detalhe. — Obrigado por ter me deixado começar de novo — ele disse. Hana sorriu, encostando as mãos nas dele. — Eu não deixei. Eu comecei com você. Ele a beijou. Dessa vez, sem medo, sem pressa, sem passado. Um beijo leve, mas cheio de futuro. O sol os envolveu, o vento soprou, e pela primeira vez desde o início de tudo, havia paz. Não era o final da história. Era o primeiro dia do amor deles. Simples. E absolutamente certo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD