Episódio 5

1587 Words
— Para onde você está correndo? Michelle m*al consegue me acompanhar, e a minha bu*nda está sentindo que isso não vai acabar bem, é por isso que quero correr. Mas, ao que parece, eu não estava conseguindo correr o suficiente. Assim que saio, sinto imediatamente uma sensação familiar de formigamento na pele. E assim que olho para frente, imediatamente sinto calor. Damião está parado em frente à entrada. Um cigarro está preso nos seus dedos. Ele exala fumaça e aperta os olhos. Olha-me nos olhos. Esperando. E é como se eu estivesse dando um pulo indo em direção da água fria. Gelada para ser mais exata. Déjà vu. Sou imediatamente jogada para trás. E lembro que isso já aconteceu. Quando saí do hospital. O dia em que ele matou tudo que tínhamos. Os meus pés parecem estar presos no chão. Eu não posso ir. O meu corpo não escuta. Ele não me obedece. Michelle diz alguma coisa, mas não consigo entender as palavras. O meu coração está batendo tão forte que ensurdece tudo ao meu redor. Está ficando doloroso. Tanto que acho que não consigo lidar com as emoções que tomam conta de mim. Mas, então algo vermelho bloqueia a minha visão. O perfume das rosas enche as minhas narinas. Eu me forço a piscar. De novo. Finalmente voltando a realidade. — Você fugiu tão rápido que nem tive tempo de parabenizá-la, linda. Derek se aproxima e entrega-me um enorme buquê de rosas. E eu faço algo que não planejei. — Obrigada. Estico os lábios num sorriso, aceito o buquê e, fico na ponta dos pés. Dando um beijo na bochecha do cara. Olho em seguida para Damião. Ele aperta o cigarro com mais força. Parece-me que posso até ver como os seus olhos escurecem. Estou fazendo a coisa certa? Não sei. Provavelmente estou sendo infantil. Porque mais cedo ou mais tarde ainda teremos que nos encontrar cara a cara. Vou estrelar o vídeo dele. Talvez eu consiga um cargo na empresa dele. E o pior é que, ao recusar e resistir, serei expulsa da escola sem receber o certificado de conclusão. Consequentemente, não serei incluída no banco de dados de bons empregadores. E, consequentemente, todos esses meses simplesmente irão pelo ralo. Mas agora não estou pronta para falar com ele. Não nesta condição. Não quando estou emocionalmente vulnerável. Não quero que Damião veja a minha fraqueza. Preciso ficar sozinha e enrolar o meu ranho no punho. — Você estava simplesmente linda. Derek continua a me encher de elogios. Eu sei que ele fala com sinceridade. Veja como os seus olhos brilham quando ele olha para mim. — Que bom que você gostou. Estico os lábios num sorriso sedutor. — A propósito, estou com fome. Derek fica até sem palavras por alguns segundos. Normalmente ele ouve de mim “saia da minha frente”, mas aqui eu mesmo insinuo um encontro. Senhor, e este é o devorador de corações local com quem todas as garotas suspiram e sonham? Acontece que conseguir esse macho para uso pessoal não é tão difícil. Eu só tive que recusá-lo várias vezes. Aparentemente, isso excitou o cara mais do que dezenas de garotas prontas para abrir as pernas para ele apenas num estalar de dedos. — Portanto, precisamos consertar isso urgentemente. Estico mais os lábios e aceno com a cabeça em concordância. — Você viu? Enquanto Derek caminha na frente até o seu carro, e Michelle e eu seguimos atrás, a minha amiga me empurra no ombro e acena gentilmente com a cabeça em direção ao homem barbudo. — Bem, eu te disse que ele era velho. Dou de ombros. — Ele provavelmente esqueceu onde deixou o carro, agora está tentando se lembrar. — Estou falando sobre como ele olha para você. A minha amiga ri baixinho e continua a compartilhar as suas observações. — Talvez eu pareça com a neta dele. Bocejo e deixo claro o quanto essa conversa é desinteressante para mim. — Qual é, ele ainda não deve ter cinquenta anos. Diz a minha amiga, até um pouco indignada. — Você está louca! Esse cara deve ter idade para ser o meu pai. Estou começando a ficar com raiva, porque Michelle também quer insistentemente falar sobre alguém que eu preferiria esquecer, como um pesadelo. Sim, ele tem cinquenta anos e está ótimo para sua idade. Mas não vou dizer isso em voz alta. — Ok, ele é velho e completamente nada se*xy para você, mas e o Derek? Michelle muda para um sussurro e pega o meu braço. Aliás, bem na hora, porque os meus joelhos já estão começando a ceder. Vejo pela minha visão periférica que o homem barbudo está caminhando direto na nossa direção. Nunca tive um ataque de pânico. Mas agora parece-me que há uma falta catastrófica de oxigênio. Preciso de um saco de papel! Ou o que mais fazem para se salvar nesses momentos?! O primeiro pensamento é correr e entrar no carro do Derek. Mas, em primeiro lugar, não vou me comportar assim, seria demais. E, em segundo lugar, os meus pés estavam traiçoeiramente congelados no asfalto. — O que você está fazendo? Michelle olha para mim sem expressão, e então se vira e solta um baixinho “oh”. — Ariana, posso falar com você um minuto? O tom com que ele pronuncia o meu nome me faz sentir como se estivesse sendo perfurada por um choque elétrico. Esta é a primeira vez que ele fala comigo depois de tanto tempo. Arrepios percorrem a minha pele. Deus, por que ainda estou reagindo a ele? Por que a voz dele faz tudo tremer por dentro? É por isso que não queria falar com ele hoje. Eu não estou pronta. Nem emocionalmente nem fisicamente. — Desculpe, mas estou com pressa. Digo com voz rouca, a minha voz falhando de excitação. — Não vou demorar muito. Damião curva os lábios num sorriso. — Se você precisar chegar a algum lugar com urgência, eu mesmo posso lhe dar uma carona. A ideia de ficar sozinha com ele num espaço escuro torna ainda mais difícil respirar. Michelle, neste momento, olha de mim para o homem barbudo e vice-versa. Preciso dizer que ela está atordoada no momento? Primeiramente vejo que a menina está completamente impressionada com o homem barbudo. Bem, é claro, quem duvidaria disso. E, em segundo lugar, ela não entende por que eu estou tentando me esconder desse homem. — Só por um minuto. Murmuro em resposta e começo relutantemente a mover as minhas pernas. Não posso criar escândalos e não posso exigir que ele falar na frente de todos. Conheço Damião, e sei que ele pode falar alguma coisa que não vou gostar. A cada passo o meu pobre coração dá uma cambalhota. Estou tão preocupada que acho que posso perder a consciência. Até as pontas dos meus dedos formigam. Agora estou com raiva de mim mesmo por essa fraqueza. Porque é terrivelmente difícil levantar o queixo quando finalmente paramos. É difícil olhar nos olhos dele porque eu quero olhar para os meus pés. Em geral, agora quero me esconder e comer um chocolate. Mas, não sou mais aquela menina e ele precisa saber disso. — Você tem alguma informação importante sobre o projeto futuro, Sr. Damião? Eu começo. Deixo claro de que maneira estou pronta para conduzir a conversa. Ele é um patrocinador. Sou estudante da escola que ele patrocina. Isso é tudo. — Eu queria conversar. Damião estreita os olhos e dá um passo na minha direção, do qual eu imediatamente recuo. Muito bruscamente e com medo. — Estou ouvindo você, Sr. Damião. Continuo falando no mesmo tom frio. — Você quer jogar este jogo? Ele franze a testa e me encara. — Não tenho ideia do que você está falando. Levanto a minha cabeça mais alto. O meu coração está batendo forte no peito como se estivesse prestes a explodir em pedaços. — Amanhã às cinco da manhã você precisa estar neste endereço. Damião examina o meu rosto com os olhos por alguns segundos. E então, como se entendesse que não há chance, ele muda para um tom profissional e me entrega um cartão de visita. — Às cinco da manhã? Abro os olhos e esqueço o papel da rainha da neve. O que ele quer dizer com cinco da manhã?! Quando aperto o m*aldito cartão de visita com os dedos, os nossos dedos tocam-se e é como se eu estivesse em choque. — Melhor às quatro e meia. Conhecendo o seu amor pela pontualidade, é melhor jogar pelo seguro. Esse bode fala com tanto conhecimento do assunto que imediatamente tenho vontade de bater nele. — Estou bem com pontualidade! Sibilo em resposta e imediatamente dobro a po*rra do seu cartão de visita ao meio e coloco no bolso. — Posso mandar um carro para você. Estou prestes a chorar de tanta preocupação. — O meu namorado vai me dar carona. Estico os meus lábios num sorriso e aceno em direção a Derek. — Ele tem um carro rápido, então acho que não vamos nos atrasar. Vejo como a mandíbula do homem barbudo fica tensa e como os seus olhos escurecem de raiva. — Tenha uma boa noite, Sr. Damião. Eu digo e me viro e vou até Derek e Michelle. As minhas pernas estão fracas, é um milagre não cair no asfalto. As minhas costas formigam com o sentimento do homem barbudo estar queimando o meu corpo com os olhos. Mas eu não me viro. Eu continuo seguindo em frente.
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