O silêncio no porto tinha um peso diferente naquela manhã. Não era apenas ausência de som. Era ausência de respostas. De certezas. De pessoas. Camila manteve-se em pé por longos minutos, observando as ondas quebrando contra os pilares de cimento. O casaco colado ao corpo, o cabelo solto a bater no rosto. Jorge estava atrás, discreto, ao volante do carro que a esperava. Sabia que não devia interromper. Ela não dizia nada desde a noite anterior. Desde que tinham saído das ruínas do esconderijo. Desde que viram, em silêncio, o sangue seco no chão e o relógio que um dia fora de Dante. A última coisa que ele dissera… ecoava sem cessar na mente dela: > “Continua. Faz só isso. Eu trato do resto.” Mas agora não havia mais “resto”. O telemóvel vibrou. Uma mensagem. > “Preciso de falar

