Mateo nunca gostou de janelas abertas. Talvez por instinto. Ou talvez porque, desde miúdo, aprendeu que quem se mostra demais não dura muito tempo. Estava no andar de cima de um prédio antigo, onde o pó cobria os móveis e o silêncio parecia espesso. A casa não era dele — era da irmã. Ou fora. Já não a via há anos. Mas vinha aqui de vez em quando. Só para lembrar-se que, um dia, teve outra vida. Sentou-se num dos sofás cobertos com um lençol velho. Tirou o relógio, pousou-o sobre a mesa, e soltou um suspiro longo. O telefone tocou. Uma mensagem curta. > “Pierre em movimento. Continua com o plano?” Mateo respondeu apenas com um ponto final. Voltou a pousar o telefone. Passou as mãos pelo rosto. Ali, no meio do pó, era o único sítio onde não era chefe, nem líder, nem estratega. Era

