O beijo não durou mais do que alguns segundos. Foi breve. Preciso. Cauteloso, até. Mas quando os lábios de Dante tocaram os de Camila, não houve hesitação. Não era um gesto impulsivo ou descontrolado. Era um reconhecimento de tudo o que vinha crescendo no silêncio entre os dois. Daquilo que nenhum deles sabia nomear, mas ambos já sentiam. E por isso mesmo, quando ele se afastou, os olhos fixos nos dela, foi como se dissesse mais do que qualquer palavra poderia expressar. Camila manteve-se quieta. Sentia a pulsação a martelar no pescoço, um calor antigo e estranho a instalar-se no peito. O mundo não ficou mais leve depois daquilo. Ficou mais complexo. Mais perigoso. Mas não fugiu. Nem recuou. Apenas o fitou, sem desviar o olhar. — Porquê agora? — perguntou ela, num sussurro. Dante não

