O sol ainda não tinha nascido quando Jorge saiu do edifício com o casaco apertado até ao pescoço. O ar estava frio, e o silêncio da rua acentuava o peso do que ele carregava no bolso: um pequeno pen drive que recuperara numa troca arriscada no Porto Antigo. Um contacto antigo devia-lhe um favor — e cumprira. Atravessou a cidade a pé, evitando as câmaras e as zonas conhecidas. Não podia correr riscos. Sabia que Mateo tinha olhos em mais lugares do que qualquer um conseguia prever. Quando chegou ao novo esconderijo, tocou à porta com o código combinado: três batidas rápidas, duas lentas. Foi Pierre quem abriu, tenso. — Vieste pelo lado certo? — Sempre — respondeu Jorge. — Precisamos falar. Agora. No interior, Camila estava sentada ao lado de Dante, com vários mapas e documentos espalha

