O escritório estava escuro, apesar da manhã já ter avançado. A única luz vinha da janela semicerrada, onde o sol, tímido, filtrava-se por entre os estores. Mateo estava sentado, os cotovelos apoiados na secretária, os dedos entrelaçados a sustentar o peso da cabeça. Na parede diante dele, uma série de fotografias espalhava-se como peças de um puzzle incompleto. Camila surgia em várias delas — ora a sorrir num momento antigo, ora a atravessar ruas captadas por câmaras de segurança, sempre sozinha. Nos últimos dias, aquelas imagens tinham-se tornado mais preciosas do que o sono, mais valiosas do que qualquer operação em curso. Tornaram-se uma obsessão. Pegou no telefone e voltou a escutar o último áudio que recebera de Pierre. > “Ela desaparece por dias, ignora mensagens, recusa rotas

