Camila acordou antes do despertador. Ainda era escuro lá fora. O ar no quarto parecia mais pesado, como se a cidade soubesse o que ela ainda não sabia. Sentou-se na cama com calma. O corpo estava rígido, mas a mente não desligava sequer durante a noite. Mesmo enquanto dormia, os pensamentos pareciam seguir um caminho próprio, torto, cheio de sinais que ela não conseguia decifrar. Levantou-se. A pistola continuava no mesmo sítio — entre o colchão e a parede, como uma lembrança de que já não vivia num mundo onde podia sentir-se segura ao acordar. Passou água no rosto. Olhou-se ao espelho. Estava mais pálida, os olhos fundos, cabelo solto a cair pelos ombros. Havia uma marca junto ao pescoço — de tensão, de noites sem dormir, de tudo o que não conseguia esquecer. Fez café com os restos do

