Mateo não dormia há dois dias. O corpo pedia repouso, mas a mente estava em alerta constante. A cabeça latejava, os olhos ardiam, e o silêncio entre cada notificação soava mais ameaçador do que qualquer explosão. Estava sentado no mesmo escritório onde viu a Camila pela última vez. A janela continuava coberta, como ele gostava. A luz artificial mantinha o espaço num tom entre o real e o irreal, onde o tempo parecia parado e a verdade distorcida. Sobre a mesa, vários dossiês. Fotografias. Cópias de mensagens. Registos de localização. E no centro, uma imagem: Camila, de costas, a sair de um armazém abandonado, capuz na cabeça, mala preta ao ombro. Mateo observava aquela imagem como quem tenta ouvir uma conversa pela fotografia. — — Queres saber o que me irrita mais? — perguntou ele, se

