Mateo caminhava em círculos no interior do escritório como se o chão lhe estivesse a queimar os pés. As janelas estavam cobertas. A sala, em silêncio absoluto. Apenas o som dos sapatos a tocar no chão de madeira se repetia, num ritmo que dizia mais do que qualquer palavra. O cinzeiro já ia no terceiro cigarro. Não fumava há semanas. Voltou a acender porque precisava de uma desculpa para não gritar. — Nada? — perguntou sem virar o rosto. O homem junto à porta fez um leve movimento com a cabeça. — Nenhum sinal dela nos últimos dias. O número foi desativado. Não há movimentos nos cartões, nem nas contas. E ninguém a viu desde terça-feira. Mateo cerrou os dentes. — Ela não está morta. Se estivesse, já teríamos ouvido. — Talvez tenha fugido. Mateo olhou finalmente para ele. Um olhar sec

