Camila passou os dedos pelo papel. A tinta começava a desbotar, mas a mensagem permanecia gravada como um murmúrio preso no fundo da garganta. > “O Pierre está em risco. Tu és o motivo.” A primeira vez que leu, sentiu culpa. A segunda, revolta. À terceira, começou a planear. Desde que entrou naquele quarto escondido, só obedecia. Recebia instruções, mudava de lugar, seguia em frente sem fazer perguntas. Mas agora… agora era diferente. Aquilo tocava num ponto que nem ela sabia que ainda estava vivo. Pierre não era apenas uma peça no jogo. Tinha-lhe mentido? Talvez. Tinha escondido coisas? Provavelmente. Mas também lhe deu algo que quase ninguém tinha dado desde que tudo começou: uma escolha. E agora, se não fizesse nada, ele poderia morrer. Fechou o caderno. Pegou na pistola. Não e

