Capítulo 1

2327 Words
Angelina Narrando — Cynh Cbih! (Filho da pu.ta) — me assusto ao ouvir um barulho de vidro se quebrando. Saio do quarto e vou até onde vem o som, ao chegar no escritório do papai, vejo um jarro de flores no chão e os nossos homens parados, com uma cara nada boa. — O que está acontecendo, papai? Porque está tão nervoso? — Aconteceu o pior, Angelina! — as veias de sua testa estão saltadas. — Alguém pode, por favor, me explicar o que está havendo? — olho na direção dos homens que estão no local, mas ninguém se manifesta. — Frederic, pode falar a ela, porque não estou em condições no momento. — viro de frente para Frederic, esperando que ele fale. — Senhor, a Angel é geniosa, acho melhor não contar a ela, ao menos por enquanto... — Ela precisa saber, Frederic! — papai está possesso de ódio, suas pupilas estão dilatadas — Não adianta esconder, ela está envolvida até o último fio de cabelo nisso. — Abre a proklyatiye (por.ra) da boca de uma vez! — exclamo impaciente, mirando o Frederic. Ele suspira pesadamente antes de prosseguir. — Acabamos de descobrir que o Nikolai nos traiu, passou informações nossas a Tríade, em troca de dinheiro. — Neschatnyy sukyn syn! (filho da pu.ta miserável) Eu vou acabar com a raça dele — meus dentes trincam — É bom ele nem ter a cara de p*u de aparecer aqui, ou eu mesma trato de matá-lo. — fecho o punho. — Iremos montar um plano para pegá-lo, sem levantar suspeitas. — papai fala, agora mais calmo. — Primeiro temos que descobrir quem está por trás disso, o Nikolai não é tão inteligente a ponto de planejar algo. — Tem razão, Angel. — papai concorda comigo. — Devemos agir, senhor? — Frederic pergunta ao papai. Enquanto isso, os outros permanecem calados, esperando a ordem do Frederic, que é nosso chefe de segurança. — Ainda não. Hoje teremos um jantar com os Hilberg — reviro os olhos ao ouvir esse sobrenome — É o tempo de prepararmos um plano para pegar o Nikolai. Se ele pensa que vai sair ileso dessa, está muito enganado, vai provar do que acontece com quem trai a Bratva. — os olhos do papai estão quase pegando fogo. Frederic assente e tanto ele, quanto os outros homens, saem do escritório, nos deixando a sós. — Pai, bem que o senhor poderia me dispensar desse jantar hoje, não é mesmo? — Meu humor não está nada bom, Angel. Não me teste... — ele senta em sua cadeira, apoiando os cotovelos sobre a mesa, massageando as têmporas. — Mas, papai... — tento retrucar. — Angelina Becker! — me assusto com seu tom de voz exaltado — Não quero saber das suas rixas com o Thomaz — mantém o olhar fixo em mim, não dou um pio — Nossas famílias são amigas há muito tempo e a senhorita estará presente nesse jantar. Fui claro? — Sim, papai. — Ótimo! Agora me deixe sozinho, que tenho algumas coisas a resolver antes dos nossos convidados chegarem. Assinto e saio pisando duro, indignada. Mas que droga! Sou obrigada a ficar em um jantar do qual não me agrado e ainda fazer sala ao insuportável do Thomaz. Mas se o papai acha que isso vai ficar assim, está bem enganado. Acabo de ter uma ideia, então ligo para Kira, minha melhor amiga. — Amiga, preciso da sua ajuda. — Pode falar, sou toda ouvidos. Conto a ela meus planos. — Angel, seu pai vai te matar se fizer isso. — Ah, amiga... É uma brincadeirinha de nada, já que sou obrigada a estar presente, tenho que me divertir de alguma forma. E aí, topa ou não? — Você não vale nada, Angel. Claro que vou, essa eu não perco por nada. — Ok, te espero aqui então. — Beijos. Encerro a ligação e devido ao horário já estar avançado, vou até o closet escolher uma roupa para a ocasião, opto por usar um macacão longo, verde escuro, com um decote em V um tanto chamativo, amo decotes. Separo também um sapato de salto fino, preto, deixo tudo organizado sobre a cama e entro na suíte para tomar um banho. Lavo os cabelos, passos meus cremes maravilhosos e em poucos minutos saio com a toalha enrolada no corpo e outra nos cabelos, visto a roupa escolhida por mim, faço uma make básica, não dispensando meu batom vermelho que tanto amo, seco os cabelos com o secador, faço um r**o de cavalo alto, coloco um par de brincos dourados e mais alguns acessórios, borrifo um pouco de perfume e estou pronta para arrasar essa noite. O Thomaz não perde por esperar. (...) Thomaz Narrando — Você tá com uma cara péssima. — Ivan entra em meu escritório. Aperto os olhos devido à forte dor de cabeça. — Fala baixo, proklyatiye! (por.ra). Bebi todas ontem, minha cabeça parece que vai explodir. — encosto no recosto da cadeira e inclino a cabeça para trás. — Sugiro que você se recupere, lembre-se que hoje tem o jantar lá nos Becker e seu pai não vai gostar nadinha se você não for. — Eu tô pouco me lixando pra isso, não quero ver a cara daquela i****a da Angelina, nem pintada de ouro. — falo entredentes. — Nunca consegui entender essa rixa entre vocês dois. Até onde sei, costumavam se dar bem, quando crianças. — Ivan senta na cadeira de frente à minha mesa. Nunca contei a ele o que houve entre mim e a Angelina e, sinceramente, é melhor assim. Não é que eu não confie no Ivan, somos amigos há anos e ele cola comigo em todas, entretanto, é um assunto complicado. — Disse certo... Nos dávamos bem, mas depois do que aquela ordinária aprontou para cima de mim, fodeu tudo. — É, mas te conhecendo bem, você bem que deve ter merecido o que quer que ela tenha feito. — sorri de lado. Acabo rindo também, tendo recordações da nossa infância. — Foi só uma brincadeira, Ivan — dou de ombros — Não posso fazer nada, se a otária não sabe brincar. — Brincadeira né?! Sei... Continuo rindo. — Mas falando sério agora, vocês nunca tiveram nada? Ela é mó gata e tá uma delícia agora. — reviro os olhos. — Sim, ela é mó gata — faço aspas com os dedos — E realmente tá bem gostosa, mas não dá, é muito chata, prefiro milhões de vezes a loirinha que peguei ontem. — sorrio de lado. — Cara, não acha que já tá na hora de tomar jeito e casar? — Vira essa boca pra lá, Ivan! Tá doido? Ora, vejam só... Eu, Thomaz Hilberg, casando — estalo a língua na boca — Só na próxima vida e olhe lá. Rimos. — Ok, ok. — levanta as mãos em sinal de rendição. — Tenho que resolver umas coisas a respeito do carregamento de armas antes do jantar, daqui a pouco meu pai chega aqui e começa o falatório. — Não esquece de dizer a Angelina que eu mandei um oi. — Ivan tem um sorriso sacana nos lábios, jogo uma bola de papel nele, que sai do meu escritório em seguida. O dia foi bastante agitado, problemas e mais problemas, é disso que se trata a máfia russa. Até que chega o fim do dia, deixo tudo organizado em minha mesa e sigo para meu quarto, me arrumar para o tal jantar. Tomo um banho rápido, saio do banheiro com a toalha enrolada na cintura, visto uma camisa social esporte fino, branca, que evidencia bem meus músculos, uma calça jeans preta, um sapato também branco, penteio os cabelos para trás e passo um pouco de perfume. Olho no espelho e gosto do que vejo, pego a chave do meu Porsche 911 azul, coloco o celular no bolso do jeans e saio de casa, me direcionando a casa dos Becker, onde encontrarei meus pais. Não demora muito e chego ao meu destino, sou recebido calorosamente pelo Mikhail. — Há quanto tempo não te vejo, rapaz. — damos um abraço. — Realmente faz bastante tempo, senhor. Pensei que meus pais já estivessem aqui. Quando iria me responder, ouvimos o som da campainha soar — Ah! Devem ser eles. — Mikhail sorri largamente. Meus pais entram e vem até nós. — É muito bom vê-los, meus amigos. — Mikhail aperta a mão do papai e beija o dorso da mão da minha mãe. Enquanto conversávamos, ouço um barulho de saltos, imediatamente meus olhos vão na direção do som, vejo Angelina descendo a escada. Por algum motivo que não sei explicar, não consigo tirar os olhos dela, fico vidrado por alguns segundos. Apesar de tudo, é uma mulher muito bonita e sedutora, fazia tempo que não nos víamos, o que me faz admirar ainda mais o quão bela está. Sou tirado do meu transe, com minha mãe cumprimentando ela. — Angel, minha querida, você está maravilhosa! Como você cresceu, meu amor. Sua mãe teria muito orgulho da mulher que se tornou. — as duas se abraçam. — Obrigada, dona Nádia. — Já disse que não precisa desse dona, somos família. Lembra disso? — Angelina assente. — E você, querida... — olha para a amiga da Angelina, que só agora reparei que estava presente — Como se chama? — Sou Kira, melhor amiga da Angel, muito prazer. — as duas se cumprimentam com um beijo em cada lado do rosto. Conversamos mais um pouco, até o mordomo informar que o jantar estava servido, fomos para a sala de jantar e pelo visto a casa não mudou nadinha, desde a morte da Sarah. — E como vão os negócios, Mikhail? — meu pai pergunta. — Não muito bem, Andrey. Acabamos de descobrir que fomos traídos. — presto atenção na conversa. — Alguém conhecido? — Sim, o Nikolai. Solto uma gargalhada sem querer e todos me olham. — O que tem de tão engraçado, Thomaz? — Angelina me fuzila com os olhos. — Desculpa, Mikhail — enfatizo o nome do Mikhail e olho para ele, ignorando totalmente a Angelina — Mas com certeza não pode ter sido o Nikolai, ele pode até estar ligado a isso, no entanto, como todos sabemos, não seria tão esperto, a ponto de arquitetar um plano. — Nisso o Thomaz tem razão, inclusive, a Angel falou a mesma coisa mais cedo. — sorrio debochado para Angelina, ela me encara com um olhar indecifrável. Sempre soube da astúcia dela, porém, me recuso a acreditar que pensamos do mesmo jeito. Angelina continua sendo uma i****a, mesmo tendo esse corpo maravilhoso de agora. O que você está pensando, Thomaz? Foco! — E o que irão fazer a respeito disso? — meu pai pergunta. — Ficaremos de olho para descobrir quem está passando informações, assim como também, faremos o Nikolai pagar por isso. Ninguém que traiu a Bratva até hoje, jamais saiu ileso. — Muito bem, Mikhail. — papai o responde. A medida que jantamos, a conversa deslancha. Chega a sobremesa, que parece estar com uma cara ótima, percebo a Angelina olhando de soslaio para mim, o que já me deixa em alerta, quando coloco a primeira colherada de pavlova na boca, sinto minha língua pegar fogo. Largo tudo de qualquer jeito na mesa. — Proklyatyie! (por.ra) — vejo a Angelina disfarçando a risada, sei que foi ela quem fez isso, porém, no momento só quero que a ardência passe. — O que foi, meu filho? — mamãe me olha preocupada. Papai e Mikhail mantém os olhos arregalados em minha direção, sem entender nada. — Água. — não consigo falar direito, minha língua está formigando. Pego a jarra de vidro com água, que está na mesa e viro de vez na garganta. — Que falta de educação é essa, Thomaz Hilberg? — mamãe está com o tom de voz alterado. Depois de beber quase toda a água que estava na jarra, finalmente consigo falar, apesar de minha língua ainda estar dormente. — Foi você! — Angelina está quase engasgando de tanto rir e sua amiguinha bem ao lado, tentando disfarçar o riso. Estou possesso de raiva. — O que está acontecendo aqui? — Mikhail se levanta, olhando para nós dois. — Sua filha colocou pimenta na minha comida. — mantenho o olhar firme na Angelina. — Não levante acusações sobre mim, seu i****a. — tenta parar de rir. — Será que nunca poderemos nos reunir em paz? Toda vez que estamos juntos, é um problema de vocês dois, estou farto disso! — Mikhail fala exaltado e papai também tem um olhar de reprovação sobre nós. — Vamos nos acalmar, senhores. — mamãe tenta apaziguar. — Nos acalmar o cara.lho! — falo arrastado, pois, minha língua está dormente e Angelina ri ainda mais — Eu vou matar a Angelina! — saco minha arma e aponto para ela, que faz o mesmo comigo. Angelina nunca foi covarde. — Tem certeza disso, Thomaz? — um aponta a arma para o outro e ela tem um sorriso debochado. — Vou te enviar direito para o inferno! — Posso até ir, mas te levo junto. — firmamos o olhar um no outro. — Parem já com isso os dois! — papai se exalta e bate na mesa, se levantando. Meu coração bate descompassadamente, sinto a adrenalina correr em minhas veias, a vontade de apertar o gatilho é grande, porém, Angelina não vacila nem um pouco e sei o quanto ela é boa em atirar. Respiro fundo. — Já chega, eu vou embora! Esse jantar já deu o que tinha que dar. — guardo a arma e me viro para sair do local. Ouço a voz dos meus pais me chamando, mas estou com tanto ódio, que não olho para trás, entro em meu carro e sigo para casa.
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