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1760 Words
DIMITRI NARRANDO Assim que Timmy entrou no quarto, Elle pulou do meu colo e arregalou os olhos. — Dá pra você sair daqui? — Pedi, me levantando. Timmy cruzou os braços e negou com a cabeça. — Você desapareceu desse quarto, então eu peguei pra mim. Minhas coisas estão todas aqui, então, vocês que tem que sair. — Ele disse, e eu respirei fundo. Elle me olhou meio que de saco cheio de tudo. — Olha, quer saber? Esse dia já deu pra mim. Foi um dia péssimo, e eu estou muito cansada. Vou embora pra minha casa de táxi, não quero nem olhar na sua cara mais. — Elle disse, pra mim. — O que eu te fiz? — Perguntei. — Nada, eu só quero ficar em paz, tá? Me deixa. — Resmungou e saiu batendo os pés. Quando ela passou perto de Timmy, ele deu uma boa olhada na b***a dela e eu fiquei muito puto. Me levantei e fui até ele, e o olhei nos olhos, enfurecido. — Melhor você tirar os olhos de cima da minha futura esposa. — Timmy deu risada ao me ouvir. — Não vai ser sua futura esposa. Você tá casado com a Elena, o vovô não vai aceitar um divórcio na família. — Ele deu os ombros. — Então, eu posso olhar pra b***a da Elle, sim. — Por que você é tão s*******o, Timmy? — Eu falei e saí andando. — Não sou eu que sou apelidado pela família de “motoqueiro pelado”. — Ele zombou. Enquanto eu descia as escadas, vi Elle entrando em um táxi e desisti de ir atrás. Ela pode ser extremamente temperamental às vezes e é muito chato de lidar com ela quando está surtando. Então, eu simplesmente desisti. Peguei meu telefone, apenas para me certificar de que ela estava bem. — Alô? — Elle atendeu. — Você tá legal? — Perguntei. — Estou, só estou com raiva do seu irmão. Mas vai passar. — Ela disse e respirou fundo. — Olha só, eu quero ficar um pouco sozinha... — Tudo bem, mas ainda temos muito o que conversar. Podemos jantar amanhã, juntos? — Falei. — Podemos. Até amanhã, meu amor. — Elle disse e desligou o telefone. Guardei meu celular e passei as duas mãos por meu rosto. Eu não sabia muito bem o que fazer no momento, estava nervoso e com a cabeça cheia. E é claro que meu irmão apareceu para tirar ainda mais a minha paz. — Mano, vamos sair aqui da festa, quero falar contigo uma coisa. — Timmy disse, e eu o acompanhei até o quarto que antes era meu, mas agora, aparentemente, é dele. Entramos e ele fechou a porta. — O que você quer? — Perguntei. — Eu quero falar sobre a Elena. Por que você está sendo tão c***l com ela? — Timmy perguntou e eu passei as duas mãos no próprio rosto, nervoso, mais uma vez. — p**a que pariu, será que a pauta da minha conversa com todas as pessoas no dia de hoje vai ser a Elena Romano? — Eu resmunguei. — Irmão, eu quero te mostrar uma coisa. Eu não sei se você tá tratando ela m*l por causa que ela bebeu na noite do casamento... Ou se é por causa da volta da Elle... Mas eu quero que você veja uma coisa. — Ele disse e abriu o celular. Timmy me mostrou uma foto, do dia do casamento, onde eu estava beijando a Elle. Eu fui atrás dela naquele dia, porque foi nesse dia que ela voltou. Justo depois de eu ter me casado. — Quem tirou essa foto? — Questionei. — Um paparazzi. Olha, nós todos somos empresários, a mamãe é atriz aposentada, você sabe que nosso nome vive na mídia... Sabe quanto eu tive que desembolsar pra essa foto não sair na capa do jornal da cidade? — Questionou e eu engoli seco. — Não faço ideia. — Respondi. — É, foi uma fortuna. Que você me deve, aliás. — Ele disse. Peguei minha carteira no bolso e tirei um talão de cheques. Peguei um em branco e o assinei na escrivaninha, pra logo depois entregar ao meu irmão. — Obrigado por me cobrir, agora, pegue o cheque e apague essa foto. — Pedi. — A Elena poderia ter feito um escândalo por causa desse casamento seguido de divórcio e não o fez, você deveria ao menos trata-la com decência. — Ele disse. Não posso responder a isso, porque nesse ponto, ele tem razão. Fiquei em silêncio. — Não vai falar nada? — Questionou. Eu neguei com a cabeça. — Não. — Você sempre se omite quando as coisas complicam. Assim é difícil. — Timmy disse. — Eu também tive que impedir que fotos da sua mulher na sarjeta na rua fossem espalhadas por aí. Você a largou vestida de noiva no meio da avenida... — Eu respirei fundo e tentei me controlar. Só que dessa vez, não consegui. Apesar de Timmy ter vinte e cinco anos, e eu ter apenas cinco anos a mais que ele, nossa diferença corporal é muito grande. Eu sou um homem forte, minha estrutura óssea é larga, já ele é um cara mais magro e esguio. Se algum dia eu quiser bater no Timmy de verdade, ele tá encrencado. Eu me aproximei dele o suficiente para agarrar a gola de sua camisa e o empurrei contra a parede do quarto, com força. — Olha só, irmãozinho... — Falei, com os dentes cerrados. — Eu não quero mais você se intrometendo nos meus assuntos com Elle ou Elena, entendeu? Você precisa cuidar da sua própria vida, seu mauricinho de merda. — Falei e o empurrei com as duas mãos pelo peitoral, o que o fez bater ainda mais as costas na parede. — Você devia reconsiderar. Eu estou tentando ajudar, tá? Não sou um monstro. E eu gosto das duas meninas... Em especial, da Elena. Eu já estava quase saindo quando ouvi o nome de Elena sair da boca dele. Me virei e o olhei nos olhos. — Por que você gosta dessa garota? Ela é só uma pilha de confusão e escândalos. — Eu falei e ele deu risada. — Isso é o que a mamãe fala e o que a Elle fala. Se você for olhar os “escândalos” dela, são atrasos nos sets de filmagens, má interpretação de personagens e gafes por não saber o que falar no momento. Eu trocaria “escândalos” por “ela não nasceu pra ser atriz”. E é claro que nossa mamãezinha atriz Gabriella Russo, precisa alfinetar, né? Porque convenhamos, mesmo sendo tão m*l falada, a Elena ficou mais na mídia do que a mamãe, que se diz tão famosa. Não respondi. Me lembrei dos bilhetinhos no apartamento de Elena, e respirei de forma profunda. — Deixe Elena e Elle em paz. E por favor, não cite mais o nome delas pra mim. Já falei que você não tem nada a ver com isso e não quero ter que repetir. — Eu disse e olhei para baixo, me retirando do quarto. Depois dessa conversa, eu fui para um quarto de hóspedes na casa, já que Timmy se apossou do meu. Eu não conseguia dormir devido aos acontecimentos. Minha cabeça estava rodando no dia do pedido de casamento, depois, no motivo de Elle ter voltado exatamente no dia do meu casamento. Talvez eu esteja assistindo muitas séries criminais, mas sinto que estou sendo enganado e já não sei mais por quem. Quando olhei no relógio, vi que já era meia noite. Eu deitei e fiquei rolando na cama por um bom tempo, e por não conseguir dormir, acabei levantando. Talvez uma volta de carro me faça bem. Entrei no meu carro e comecei a dirigir sem rumo, meio sem saber o que fazer, pra ver se isso me acalmava. Fiz questão de abrir o teto do carro para o vento pegar em meu rosto. Talvez o vento jogue fora todas as confusões da minha mente. Meus pensamentos não paravam de rodar, mesmo com o vento, mesmo comigo dirigindo em alta velocidade. Então, eu cheguei mais uma vez no olhar assustado da Elena e nos bilhetinhos espalhados em seu apartamento, o que me fez ficar chateado. Quando me dei conta, estava na rua da casa de Elena. Eu estacionei na entrada do apartamento dela, e olhei para o andar dela. A luz estava acesa. Parece que as minhas ações estavam sendo controladas por outra pessoa, porque eu não sei o motivo, mas peguei meu telefone assim que constatei que ela estava acordada e liguei para ela. Eu não sabia o motivo de eu ter feito essa ligação e, mesmo comigo pensando e tentando descobrir, eu acabei sendo atendido antes de saber porque liguei. — Alô? — Ouvi a voz suave de Elena, me atendeu prontamente. — Oi, é o Dimitri. — Eu falei. Eu queria me desculpar de novo, mas não tive coragem. Eu sou muito orgulhoso para admitir que fiz algo errado duas vezes no mesmo dia, por mais que esteja me incomodando. — Oi, Dimitri. — Ela respondeu. — Salva meu número. — Foi o que consegui dizer, pensando de última hora. — Tá, eu vou salvar. — Ela respondeu e respirou fundo. — Me ligou por causa dos papeis do divórcio, não é? Eles me disseram que deu um problema... Eu assino de novo, Dimitri, não se preocupa. — Obrigado. — Respondi, de forma seca. — E por favor... Colabora comigo por trinta dias. É só o que eu peço. Eu só quero fazer meu avô feliz... — Pediu. Ouvi a voz dela meio embargada, e mais uma vez, tive pena. — Tudo bem. Já concordei com isso. — Se você puder um dia desses visitar meu avô comigo, eu ficaria muito agradecida. — Falou e eu bufei. Foi meio que sem querer. Eu não sei que tipo de confusão essa garota faz em minha cabeça. — Tá, um dia desses a gente vai. — Muito obrigada, Dimitri. — Ela agradeceu e desligou o telefone. Pude ver sua silhueta passando pela janela do segundo andar, e senti raiva. Raiva de não entender que p***a está acontecendo com minha cabeça, raiva porque ela estragou tudo aparecendo vestida como minha noiva. Isso não deveria estar acontecendo! Eu deveria estar casado com a Elle, e é isso! Dei um soco no volante e liguei o carro, indo embora sem entender o motivo de tanta confusão interna. Talvez um dia eu entenda.
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