Arqueei a sobrancelha, já desconfiado. — “Manda, loira… mas pensa bem antes de falar.” Ela virou o rosto, me encarando com aquele verde que brilhava até na penumbra, e disparou sem dó: — “Bolo de milho cremoso. Quentinho. Igual o da Dona Inês.” Eu quase ri, mas a expressão dela era séria demais. Não era só um capricho. Era desejo. Desejo de grávida. E eu já sabia que quando batia assim, não tinha volta. Passei a mão devagar no cabelo dela, rindo rouco. — “Tu tá me pedindo bolo de milho, essa hora da madrugada, loira?” — “Tô.” — ela retrucou firme, sem um pingo de vergonha. — “E não é qualquer um, não. Quero aquele que derrete na boca. E quero agora.” Levantei a cabeça, bufando pesado, mas no fundo achando graça. Fui até a cozinha e abri a geladeira. Ilusão minha achar que ia achar

