Ao amanhecer, eu já estava totalmente arrumada, com minha mochila de costas preparada e tudo o que eu precisaria para o início de minha nova jornada também. Eu viajaria primeiro para Brasil, mas antes de seguir para o aeroporto eu iria passar da prisão, para ver Vanni e seu irmãozinho, eles tem algumas coisas para me responder e depois disso partirei calmamente para ver meu querido titio, o dono do morro e irmão mais velho da minha mãe.
– oi Kate_ Lya falou assim que abriu a porta para mim
– oi Lya_ sorri fraco enquanto ela pegava de meu colo Karen que ainda dormia
– entra aí_ segui atrás dela, enquanto Kaio se aconchegava melhor em meus braços
Seguimos em silêncio até o quarto onde os gêmeos foram colocados para dormir, eles se aconchegaram na cama mas Kaio não quis soltar minha mão, me fazendo soltar algumas lágrimas. Ainda tentando engolir o choro, simplesmente soltei sua mão e iria me afastar dele
– mamãe?_ ele falou chamando minha atenção
– oi meu amor_ me aproximei dele
– onde vai?_ fez um biquinho
– eu vou voltar meu amor, mas enquanto isso, você precisa obedecer a tia Lya e cuidar da sua irmã_ fiz carinho em seu cabelo
– polque?_ quase chorou
– porque a mamãe precisa ir_ sei um beijo em sua testa_ agora dorme, vai ficar tudo bem_ ele assentiu e voltou a se deitar, eu dei um beijo nele e em sua irmã, depois segui até a porta, a fechando atrás de mim
Lya me olhava com um sorriso de reconforto enquanto eu deixava minhas lágrimas caírem, dói ter que deixar eles, mas eu já tinha me decidido e não podia voltar atrás agora.
– você me prometeu que voltará_ me abraçou
– eu vou voltar, no máximo em um ano_ sorri em meio ao abraço
– se você passar desse tempo Katharine, eu vou buscar você onde quer que esteja_ falou séria
– eu sei que vai_ ri
– eu vou esperar suas chamadas, e não se esqueça de me dar um sinal de vida todos os dias_ falou me analisando_ eu amo muito você_ me abraçou novamente
– eu também te amo, e obrigada por cuidar dos gêmeos_ segurei rosto
– você e eles são minha família_ assentiu
– então eu vou nessa_ apontei para a porta e ela assentiu em meio a lágrimas
– se cuida nessa Kate_ Léo falou encostado na batendo da cozinha_ espero ver essa sua carita em breve_ deu um aceno de cabeça
– não vai se livrar de mim tão fácil Leonard_ fiz um joinha para ele_ confio em você_ sorri
– não me decepcione_ ele assentiu e eu saí daquela casa, deixando meu coração despedaçado por ter que deixar meus filhos
Eu fingi que estava confiante, mas no fundo, eu sabia que a probabilidade de não sair dessa viva era enorme, mas eu não posso deixar os gêmeos terem um destino semelhante ao meu e para isso eu não vou medir esforços.
Peguei um táxi na frente do condomínio e segui até a prisão, quando lá cheguei, eu segui para ver Vanni, eu não tinha nenhuma garantia de que o cara fosse falar, mas eu tinha que arriscar.
•••
– olha só quem veio me ver_ Geovanni falou ao me ver_ não esperava sua visita tão cedo Kate_ sorriu debochado se sentando de frente para mim_ a que devo a honra?_ arquiou a sobrancelha
– eu creio que você saiba porquê eu estou aqui_ falei seria_ e caso você esteja com amnésia, você nos sequestrou então, eu quero saber quem mandou vocês_ repousei meus braços sobre a mesa
– o que p***a você está tentando fazer?_ me analisou_ quer morrer? É isso?_ perguntou irónico
– é, talvez eu queira morrer, então, vai me dizer quem foi que te mandou lá?
– o que quer que você esteja tentando fazer, deveria desistir_ tentou se levantar mas eu o impedi
– eu m*l comecei Giovanni, me diga o que eu quero saber
– e porquê eu te diria?_ arquiou a sobrancelha
– porque somos melhores amigos_ sorri docilmente
– vai apelar ao emocional?_ debochou
– você tem sentimentos, é claro que vou_ falei óbvia_ por que razão eu iria apelar para a maldade se você certamente já deve estar acostumado com isso?_ coloquei meu queixo sobre minhas mãos_ sabe, eu nem iria cogitar falar para o cara que divide cela com você, pra arrancar um dedo seu a cada dia, eu não teria nem como falar com o Alexander_ debochei sorrindo_ sabe, o Bernard também não parece gostar muito de você e nem do seu irmãozinho, e considerando que ele é meio imprevisível, ele pode acordar em um dia qualquer com vontade de cortar seu p*u fora_ dei de ombros_ então, esses são motivos suficientes para você me contar o que eu quero saber?_ arquiei a sobrancelha
– você não era assim quando eu te conheci_ me olhou sério
– todo mundo esconde um lado sombrio, e eu particularmente não sabia ter um tão sombrio assim, mas enfim, as vezes temos que fazer coisas ruins, não?_ dei de ombros com um sorriso de canto_ mas agora chega de enrolação, eu estou perdendo meu tempo, e ele é precioso_ voltei a ficar séria
– eu não sei onde você pode encontrá-lo, eu estava preso aqui nos últimos 4 anos_ cruzou os braços
– eu não perguntei onde, mas sim quem?
– meu pai mandou pegar você, eu não sei porquê, só sei que ele recebeu ordens para tal_ revirou os olhos enquanto falava
– e quem é seu pai?, Lembrando que não quero mentiras
– Pietro Lintronelli_ suspirou_ se você me garantir uma boa grana, eu te digo exatamente como encontrar provas que podem te ajudar_ sussurou
– me de as informações e se eu achar elas interessantes eu te pago_ cruzei os braços
– não, não, não, não é assim que funciona
– você não tem muita escolha Geovanni
– então você terá que se virar, o que acha?_ arquiou a sobrancelha
– você precisa mais disso do que eu, e eu posso me virar_ me levantei para ir embora
– espera_ parei ao ouvir sua voz_ se você me der 50% do dinheiro agora, eu te dou a informação que você precisa
– 30%
– 45%
– 30%, essa é minha proposta_ frisei
– está bem, anote esse número de conta..._ me ditou o número de conta e eu o memorizei
– assim que eu sair daqui eu te mando, agora fala_ me sentei
– vá para os armários do aeroporto internacional de Londres, o armário 152, ele tem tudo o que você precisa_ explicou
– e cadê a chave?_ arquiei a sobrancelha
– você sabe muito bem arrombar coisas, não será difícil_ se levantou e os policiais vieram a seu encontro_ boa sorte em suas doideiras_ sorriu enquanto era acompanhado de volta para a cela.
Eu por outro lado, me levantei e saí do local, chamei um táxi e segui para o aeroporto. Enquanto estava no táxi, enviei uma parte do valor para Vanni, fiquei olhando a paisagem e inevitavelmente as lembranças de nosso tempo de amizade me invadiram e corroeram por dentro, é totalmente irritante o facto de não podermos arrancar sentimentos de afeto que criamos pelas pessoas, afinal quanto mais fundo é o afeto, mais doloroso é sentir que essa pessoa traiu nossa confiança e mesmo assim não conseguir odiar a pessoa como deveríamos.
– já chegamos_ o motorista chamou minha atenção enquanto estacionava na frente do aeroporto
– obrigada_ paguei a corrida, desci do carro e pegando minha mochila, eu logo segui para dentro do aeroporto.
Fui para o local onde os cacifos ficavam, falta praticamente 1 hora para o meu voo então eu tinha tempo o suficiente. Ao encontrar o cacifo 152, usando um grampo de cabelo, consegui abri-lo e de lá retirar um envelope castanho, caminhei de volta para a ala principal do aeroporto e me sentei em um dos bancos de espera para poder abrir o envelope e de lá retirar algumas fotos. Sorri para as fotografias.
Eu iria viajar para Brasil porque a alguns meses quando falei com Migo (irmão de Vanni), ele me deu algumas informações interessantes que após uma investigação eu concluí serem de grande valia e agora com essas fotografia e as informações atrás delas, tudo se complementava e eu estava finalmente indo em uma certa direção.
A história é simples, meu avô era o dono do morro, ele tinha seus muitos negócios sujos com vários homens maus, até ser morto e minha mãe sair do Brasil para ir atrás de vingança pela morte de seu pai, daí conheceu um chefe do máfia, se apaixonou e eis nós aqui, mas enfim, não é nesse ponto que eu quero chegar, na verdade o ponto interessante disso tudo, é alguns dos homens com quem meu avô fazia negócios, esses homens eram mafiosos romanos, um deles cuja atenção me chamou, era o pai do Geovanni e o outro era um traficante que mexendo um pouco nos papéis de Dylan e Léo, eu pude descobrir sua localização exata no Brasil e como jackpot, talvez eu encontre Pietro lá também.
Fiz o meu check-in e fiquei na sala de espera, esperando pacientemente pelo meu vôo, que um tempo depois foi anunciado e seguimos para a porta de embarque para finalmente embarcar no avião.
•••
Após exaustivas horas de vôo, finalmente desembarquei no país, sem muita cerimônia peguei um táxi e fui para o hotel que eu havia feito reserva, já sentindo o calor da capital paulista me derretendo por inteira.
O motorista do táxi foi muito simpático, e apesar de minha falta de fluência no idioma, eu consegui compreender a maioria das coisas que ele me falava, inclusive, quando me alertou dos perigos da parte onde eu estava ficando. Naquele dia eu não fiz nada além de dormir porquê sinceramente, a troca de fuso horário estava me matando e a longa viagem também.
[Sexta-feira]
Me levantei por volta das 9h, tomei um banho, me troquei colocando uma blusa vermelha e uma calça jeans azul escura, peguei meu laptop e segui para uma lanchonete que fica bem do lado do local onde eu estava hospedada, escolhi me sentar de frente para o balcão e lá me instalei.
– vai pedir?_ uma mulher de estatura baixa, cabelos presos em um coque despojado e algumas sardas no rosto me olhou e eu assenti
– cofé e waffles_ arrisquei no idioma dela, apontando para cada item e ela sorriu
– café_ me corrigiu gentilmente_ eu ** trago_ se afastou e eu assenti
Liguei meu laptop e já comecei a analisar todas as informações que eu tinha naquele momento, eu sabia da localização do Cobra, nome de código para Fernando Rodrigues, o traficante que fornecia armas e drogas não só ao meu avô como a outros donos de morros, mas também trabalhava directamente para a máfia, ele também foi a conexão de minha mãe com a máfia, e o homem determinante para fazer minha mãe ir atrás de alguma coisa na Itália e nisso eu preciso saber exatamente o que minha mãe procurava, pois Segundo Migo, não foi coincidência que minha mãe fosse parar na Itália, alguém queria que ela estivesse lá e pra que isso acontecesse, o Cobra foi crucial. De acordo com as informações de Migo, meu nascimento foi planejado com um propósito muito maior mas nada correu como deveria e por isso está tudo tão caótico, então, pra achar o topo do buraco, eu preciso descer ainda mais fundo nisso.
Eu vou atrás do cobra hoje, não tenho tempo a perder, mas antes tenho que me alimentar, eu não vou sair por aí atrás de um traficante, morrendo de fome e me arriscar a cair de fraqueza, não, não, saúde em primeiro lugar.
Fechei meu laptop assim que trouxeram meu pedido, agradeci e me pus a comer. Eu comi mais do que um waffle, comi pão de banana, sanduíche de queijo e presunto, tomei uns 2 cafés e então finalmente eu estava pronta, só faltava perguntar onde era o local que eu precisava ir.
– desculpa_ chamei atenção da mulher atrás do balcão que logo veio até mim_ aqui, conhece aqui?_ meu português saiu com um sotaque bem pesado, enquanto eu apontava para o nome do lugar no meu celular
– claro, ****** ******** **** aqui_ foi a única coisa que eu entendi
– eu não entender_ falei confusa
– espere_ suas mãos pediam que eu esperasse enquanto ela saia do local
Ela ficou por breves instantes no exterior e depois voltou junto de um homem forte e bonitinho, mas não fiquei muito tempo o observando, já que tinha que me focar em minha missão e não nos gostosões que eu veria pela frente
– olá, eu sou o Diego_ ele falou em inglês e estendeu a mão para mim
– oi, eu sou a Denise_ apertei sua mão com um breve sorriso
Eu não iria dar o meu nome verdadeiro por aí, vai que eu tenha que me livrar de problemas com a lei, não ajudaria ter alguém que dissesse que viu uma mulher chamada Katharine atrás de uns mafiosos, isso é suspeito.
– a Mada me disse que estava precisando de ajuda para achar um lugar_ ele falou simplista
– é, sim eu preciso achar esse lugar_ mostrei a tela de meu celular para ele_ conhece?_ questionei curiosa
– conheço sim_ assentiu_ mas porquê uma estrangeira iria para um lugar tão perigoso como esse?_ me olhou com curiosidade
– eu estou procurando minha irmã, e me disseram que ela estava lá_ dei de ombros
– eu não te aconselho a ir pra lá, esse lugar não foi feito para turistas_ pontuou
– eu não tenho outra alternativa, eu preciso achá-la, se eu não fizer isso, ninguém mais vai achá-la por mim_ falei séria e ele assentiu compadecido, fazendo lá no fundo da minha alma, uma bola de culpa começar a surgir, por mentir para alguém que se está compadecendo por minha "dor", mas eu reprimi tal sentimento sabendo que eu não tinha confiança nele e nem estava fazendo m*l algum, pelo menos não para ele
– está bem, pra chegar nesse lugar, você terá que descer essa rua e curvar a direita_ falou apontando para o lado de fora da lanchonete_ você verá um restaurante com um letreiro vermelho enorme, é só dar a volta pelo lado esquerdo e você encontrará essa boate_ explicou_ mas tenha cuidado, lá tem um monte de gente de carácter duvidoso, mafiosos e assassinos, tenha cuidado_ ele falou seriamente
– não se preocupe, muito obrigada_ falei me levantando e recolhendo meu laptop_ até mais Diego_ falei caminhando até a saída e acenando pelo caminho para a dona do estabelecimento