QUATRO: Ômegas Também Sentem Desejo

2764 Words
Kyungsoo permaneceu parado ao lado da janela enquanto observava seu marido comer, ele comia como uma fera, derrubando mais na mesa do que na própria boca. Detestava a forma grotesca como os alfas comiam, eles não eram nenhum pouco civilizadas, pareciam até um bando de peregrinos famintos, devorando tudo o que viam pela frente. Apressados, nem mesmo na mesa pareciam baixar a guarda. Sempre em alerta, mas precisava ser assim até dentro de suas próprias casas? Kyungsoo julgava esse comportamento como algo exagerado e desnecessário. — Preciso ir. — o moreno ergueu-se da mesa quase derrubando os pratos, um bruto — A refeição estava ótima, você é muito bom na cozinha. A única reação do ômega foi sorrir, estava feliz em ser elogiado por seu alfa, sua mãe sempre lhe dizia que alfas não tinham o costume de elogiar seus ômegas, e cada elogio deveria ser recebido com muita gratidão. Jongin ficou de pé diante de si, tocou sua cintura e Kyungsoo sentiu seu corpo vibrar com aquele contato. Era a marca, a marca fazia seu lobo ficar agitado sempre que era tocado por seu alfa, e o fato de não terem consumado o casamento tornava aquela agitação ainda maior. O alfa abaixou-se para aspirar o cheiro de seu pescoço, seu lobo se alvoroçou, seu cheiro começava a ficar mais forte e seu corpo tremia, tremia de ansiedade, em seu íntimo, a vontade de ser tomado por ele crescia cada vez mais, quase o deixando inconsciente. Aquele cheiro, aquela presença, o poder que aquele alfa tinha sobre si era assustador, Kyungsoo sentia seu corpo inteiro o chamando, implorando por ele. — Meu senhor. — quase gemeu, Jongin estava perto demais. Suas mãos se agarraram nas roupas do maior, as apertando com força, tentando ao máximo proteger o pingo de sanidade que ainda lhe restava — Por favor... Jongin se afastou, e deixar de sentir os toques de seu alfa em sua pele o frustrava. Aos poucos sua consciência foi retornando, ao ponto de se sentir envergonhado por quase gemer com um simples toque na cintura, não imaginava que estava tão manhoso assim. — Não me chame de senhor, sou seu marido, e não o seu dono. — ficou surpreso, todas as atitudes de Jongin pareciam contrárias ao que imaginou, ele não era da forma que achava que seria, o tratava bem, e isso o deixava ainda mais bambo por ele. — Mas eu preciso demonstrar respeito por você... — a voz saiu baixa, temerosa, ainda não se sentia intimo o suficiente para falar com Jongin como falava com as outras pessoas. — Demonstre na rua, na frente das outras pessoas, mas em casa prefiro que me chame apenas de Jongin. — Kyungsoo concordou com a cabeça, olhou para o chão, queria sorrir, mas não queria que Jongin visse o quanto ficou contente com isso. Era engraçado, Jongin o deixava feliz com coisas tão pequenas, um alfa jamais poderia entender como qualquer atitude gentil deixava seu ômega extremamente feliz. Alfas não costumavam ser muito gentis, pelo menos, eles sempre carregavam uma expressão fechada, sorriam pouco, e se divertiam com coisas que ao olhar dos ômegas era apenas perigoso e arriscado demais para ser considerado uma brincadeira. Ômegas não entendiam os alfas, e os alfas não entendiam os ômegas, mas eram todas aquelas diferenças que tornava a união alfa e ômega perfeita. Ômegas precisavam de alfas para protege-los, e alfas precisavam de ômegas para os protegerem de si mesmos. — Aqui. — o moreno pegou sua mão, colocando uma pequena bolsa nela, era pesada — 20 moedas de prata. — Mas isso é muito dinheiro. — a pequena bolsa pesava em sua mão, estava impressionado, Jongin não tinha cara de quem teria esse valor em um de seus bolsos, sua casa era simples como a casa de um guerreiro sem muitas riquezas, 1 moeda de prata era o preço de uma jornada de 1 mês de um trabalhador braçal — Por que está me dando? — Compre coisas para a casa, panelas, bancos, um tear talvez, o que você achar que essa casa precisa para se parecer com um lar. Olhou para a bolsa e depois para Jongin, estava ainda mais surpreso com ele. Quem aquele alfa era, afinal? Não suspeitava de suas atitudes, mas sentia que ter ele era... Bom demais para ser verdade. E isso o deixava inseguro, com medo de que a qualquer momento aquela maré de boas ações fosse acabar, e se transformar em algo r**m para ele. Jongin era... era algo que não esperava. — Faça o que quiser, sinta-se à vontade, esta é a sua casa agora, é aqui que vai viver comigo, quero que pareça um bom lugar pra você. — o alfa tocou seu rosto, e Kyungsoo não conseguia evitar fechar os olhos — Seja um bom ômega e prepare um bom almoço, alimente meu cavalo e limpe a casa. Preciso ir. Jongin saiu pela porta da cozinha, pulando a cerca do quintal, Kyungsoo ainda ficou na janela o observando. Estava trêmulo, precisava jogar uma água no rosto, aquele alfa o estava deixando louco, a marca ardia em seu pescoço, ansiava por ele, e vê-lo saindo de casa era tão r**m como se ele estivesse indo embora pra sempre. Malditas sensações, estava tão carente de seu alfa que sentia sua lubrificação natural descer pelas pernas. Jongin ainda olhou para trás, ao longe conseguia ver Kyungsoo na janela o olhando, sorriu para si mesmo, aquele ômega era uma gracinha. Mas não podia ficar pensando nele naquele momento, ou não se concentraria em seu trabalho, resolveria suas pendencias com Kyungsoo mais tarde. Muitas famílias da alcateia mantinham tradições, as menores, costumavam trabalhar todos juntos, já as maiores, como a família Kim, desbravavam várias profissões diferentes, e a família de Jongin era composta por ferreiros. Desde cedo seu pai ensinou os filhos como forjar peças de ferro, desde âncoras à espadas. Eram os melhores daquela região, pessoas vinham de longe para ter peças forjadas por eles. E aos 15 anos, Jongin forjou a própria espada, era uma tradição de família, passada à cada geração de ferreiros da família Kim. — Se atrasou. — seu pai o olhou com uma expressão bruta, o velho batia com a marreta em uma peça de ferro ainda sem formato — Deve ter estado muito ocupado com seu ômega. Os sorrisos dos alfas se abriram, e o velho largou o que estava fazendo para abraçar seu filho, deu duas batidas em suas costas enquanto ambos riam um com o outro. — Parabéns pelo casamento, filho. — o alfa mais velho segurou o filho pelos ombros, o afastando para poder olhar bem para o seu rosto — O filho do líder Do aparenta ser um bom ômega, cuide bem dele. Talvez esse fosse o mistério que Kyungsoo queria tanto desvendar, o modo de agir de Jongin, seu comportamento carinhoso e respeitoso. Ele havia sido criado dessa maneira, desce pequeno havia visto seu pai tratar sua mãe com amor e respeito, mesmo em um casamento arranjado, os pais de Jongin logo aprenderam a se amar, e sempre trataram um ao outro de igual para igual, e isso sempre motivou Jongin a ter um casamento assim, a cuidar bem de seu ômega. — Veja só, se não é o futuro líder da alcateia! — um alfa loiro e um pouco menor surgiu polindo uma espada, largou o que estava fazendo pra abraçar o irmão — Parabéns pelo casamento, irmão. — E você, quando vai se casar, JongDae?       [... Mordida de Alfa ...]       Baekhyun não queria dar falsas esperanças ao alfa que o havia amparado, mas receber o convite para um passeio naquela manhã havia sido irrecusável, queria sair para ver Kyungsoo, mas imaginou que aquele não seria o momento certo, poderia atrapalhar alguma coisa caso aparecesse por lá, afinal, ele havia acabado de se casar e era normal os casais passarem os primeiros dias de casamento apenas trancados dentro de casa fazendo o barulho deles. Sorriu para si mesmo imaginando Kyungsoo morrendo de vergonha do próprio marido. — Eu fiquei desesperado, achei que tinha perdido meus dedos. — o alfa, que descobrira se chamar Sehun, m****o da família Oh, estava lhe contando como havia sido sua primeira caçada, Baekhyun tinha curiosidade sobre a vida dos alfas, tudo parecia tão emocionante. O ômega suspirou. — Queria fazer isso um dia. — soltou — Sair pra caçar, ser livre como os alfas são. Aquilo poderia facilmente afastar o alfa dele, os alfas não gostavam de ômegas que não aceitavam a realidade, os viam como rebeldes, o que poderia significar que eles não seriam bons para casar, podendo se tornar esposos revoltados que se recusam a cuidar da casa e de seus maridos da forma correta. Sorte dele que Sehun não era como esses alfas, o rapaz achava Baekhyun um ômega muito interessante, com estilo e personalidade própria. Fascinante. — Não é tão impressionante quanto parece, no fim são apenas mais arranhões e cicatrizes. — comentou ao léu, Sehun era um alfa pacifico, sua família era composta por agricultores que cultivavam cevada, estava acostumado com a passividade do campo, para ser sincero, aquela havia sido a primeira vez que havia saído para caçar no inverno. Nunca havia se interessado por um ômega ao ponto de sair para caçar por ele, ao ponto de sua família sempre fazer perguntas sobre quando ele se casaria. O alfa não pensava em se casar tão cedo, não daquela forma, Sehun fazia o tipo mais romântico, que esperava conhecer um bom ômega por quem se apaixonaria e pediria em casamento em qualquer época do ano. Mas o destino havia lhe traçado uma linha estranha, o fazendo olhar para aquele ômega pequeno e de rosto tão meigo, o fazendo mudar de ideia minutos antes da partida. E a verdade era esta, Oh Sehun não planejava participar daquela caçada, estava ali apenas para desejar boa sorte aos seus irmãos, e ouvir reclamações de seus pais novamente. Mas aquele ômega, aquele ômega parado segurando aquelas capas o chamou atenção, um ômega tão disputado e tão desejado, Baekhyun lhe despertava desejos ocultos, vontades que nem ele mesmo sabia que tinha. Viu quando Baekhyun paralisou no meio da rua, seus olhos acompanharam os olhos do ômega, ele olhava para outro alfa, muito alto e de cabelos ruivos. Instintivamente pôs as mãos nos ombros do Byun, seu lobo sentiu a ameaça que aquele alfa significava para ele. Baekhyun apenas se encolheu e se deixou ficar ao lado de Sehun enquanto Chanyeol passava por eles, o Park m*l se deu ao trabalho de os olhar direito. Sentiu Baekhyun ficar pequeno em seus braços e o abraçar. Sehun não demorou para retribuir o abraço e o confortar com seu calor. O alfa se sentia m*l por ver o pequeno ômega daquela maneira, saber que seu sofrimento vinha pela rejeição de outro alfa, não queria que as coisas fossem assim, queria que Baekhyun esquecesse Chanyeol e ficasse com ele.   — Baekhyun, ouvi sua conversa com ele naquela noite, e a forma como ele... — Por favor. — o pequeno sussurrou — Não fale m*l dele, eu ainda o amo, mesmo que ele seja assim, mesmo que não goste de mim, Chanyeol é uma boa pessoa. Para sermos mais exatos, Baekhyun não entendia esse profundo desagrado repentino no alfa Park, não havia lhe feito nenhum m*l para ser tratado de maneira tão fria pelo mesmo. Baekhyun se sentia confuso, só queria que Chanyeol o tratasse bem, ou que, pelo menos, lhe dissesse o verdadeiro motivo para lhe tratar assim. E por mais que vasculhasse em sua mente, não havia nada, nunca havia sequer trocado qualquer palavra rude com o alfa antes. — Ele não parece ser uma pessoa boa para você. — o alfa Oh respondeu — Mas não vou ser rude, se eu quiser conquistar seu coração terei que arrancar o Park primeiro. — ele usava palavras tão simples, sorria tão singelo que aparentava se tratar de uma tarefa rotineira, simples — Preciso voltar ao trabalho, o meio-dia já se aproxima, espero vê-lo novamente, ômega. Baekhyun não conseguia entender o que aquelas palavras significavam naquele momento, mas Sehun acabara de lhe fazer uma jura, a de que tiraria Park Chanyeol do coração do pequeno ômega, e se colocaria naquele lugar. Baekhyun iria ama-lo, e não mediria esforços para isso.     [... Mordida de Alfa ...]       Não era trabalhoso ter que cozinhar para seu marido, na verdade, era gratificante, e ficava muito feliz em ver o quanto o alfa gostava de sua comida. Ele continuava sendo uma fera, dilacerando as carnes como se fossem meras folhas finas. Kyungsoo comia de forma discreta, apreciando o sabor da comida, enquanto Jongin a enfiava pela garganta como se a mesma fosse fugir das panelas. Sorriu sozinho, alfas pareciam grandes filhotes comendo, derramando tudo por toda parte. — Eu adoro sua comida. — falou de boca cheia, e acredite, isso não era falta de educação entre os alfas, e sim algo perfeitamente normal. Jongin virou a caneca cheia de água em sua boca, para ajudar a descer tudo de uma vez. Por que eles tinham que comer como cães? Era bem mais fácil e agradável comer com os talhares ao invés de usar as próprias mãos, e mastigar os pedaços da carne ao invés de enfiar tudo na boca. — Meu senhor, sobre a casa... — estava de pé ao seu lado, tirando algumas coisas de sobre a mesa, já que o Kim aparentava ter terminado de comer — Comprei algumas... — as mãos do alfa seguraram em sua cintura o puxando para trás, o obrigando a largar as panelas que se segurava enquanto ia de encontro ao colo do mesmo. Jongin o pôs sentado em suas pernas, e Kyungsoo sentia seu rosto esquentar com aquele contato, seu lobo vibrou ao ser tocado daquela maneira por seu alfa. Estava tão necessitado, tão manhoso, tão derretido por ele, não queria sair dali nunca, o colo de Jongin era o seu lugar perfeito no mundo. O alfa afastou seus joelhos sem nenhuma cerimônia, deslizando as mãos pela parte interna das coxas, Kyungsoo mordia os lábios para não gemer. Se sentia envergonhado por estar daquela maneira, mas ao mesmo tempo estava tão entregue que fazia questão de esquecer a vergonha que sentia por aquela ser a primeira vez que seu alfa o tocava daquele jeito. Uma pena que aquele carinho acabou cedo, Jongin desceu suas roupas novamente cobrindo suas pernas, tão brancas e macias, virando seu rosto para que olhasse para ele. — Vamos consumar o nosso casamento. — o alfa sussurrou em seu ouvindo, carregando ainda mais para longe a sanidade que restava em Kyungsoo. — Agora? — aquela pergunta não havia sido feita por ele, e sim por seu lobo tão necessitado e sedento para se entregar ao alfa. — Não seja apressado. — sorriu debochado — Mais tarde, quando eu voltar para o jantar, guarde bem as suas forças, meu pequeno Kyungsoo. — o alfa apertou sua cintura, não aguentou, grunhiu, e tinha que confessar estar desapontado, ele queria fazer agora — À noite vamos poder brincar mais. Virou-se para poder olhar melhor para o rosto de Jongin, ele era tão bonito, moldado na imagem de um deus. Como isso era possível? A beleza daquele homem o deixava bambo, seu corpo inteiro queria se entregar a ele, ser totalmente dele, quando parava para admirar aquele rosto, se sentia o ômega mais sortudo do mundo, havia se casado com um alfa de aparência inacreditavelmente bela, da qual jamais se cansaria. O alfa colocou as duas mãos de Kyungsoo sobre seus ombros, o despertando de seu transe, Kyungsoo voltara a se sentir envergonhado com aquela aproximação, ainda mais por sentir suas nádegas se moldando sobre o m****o do Kim, ainda inerte dentro de suas roupas. O moreno aproximou seus rostos, Kyungsoo não quis recuar, continuou com seus lábios entreabertos, esperando ansioso. Juntou seus lábios sentindo a maciez dos lábios do ômega, que não eram finos e nem grossos, e sim da maneira perfeita para serem ainda mais aconchegantes e deliciosos. Deliciosa, a boca de Kyungsoo era deliciosa, tão quente e inexperiente, esperando calmamente que o alfa ditasse o ritmo, o ensinasse. Era saboroso, ser beijado por seu alfa fazia seu coração formigar, enquanto seu lobo pulava em agitação. Jongin o apertou mais forte na cintura, o fazendo arfar e afastar seus lábios buscando ar. O alfa o envolveu com os braços e o trouxe para mais perto, Kyungsoo enfiou a cabeça no peito do Kim, aspirando todo aquele cheiro de liberdade que ele tinha.
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