CAPÍTULO 05
Pablo Strondda
Essa garota está me tirando do sério! Nunca vi uma mulher que falasse desse jeito com um capo, ou um Dom, e ela parece não se importar com nada.
Tem horas que eu realmente tenho vontade de lhe dar uns tapas, mas o pior é que eu não consigo, acaba que tenho pena dela, ou não sei o quê, me faz ficar na minha.
Na verdade eu até entendo que ela tinha uma vida, e foi roubada a sua escolha, mas deveria ficar feliz, muitas mulheres morreriam para se casar comigo, e eu vou me casar com ela.
Não posso desistir agora, tem muitos esperando por esse casamento, e ele precisa acontecer amanhã cedo! Ainda terei que trocar esses documentos, pois o contrato, está no nome da sua irmã safada, que ainda bem, que consegui me livrar, pois logo teria que matá-la por infidelidade, e eu não estou a fim de esquentar a cabeça com isso.
Vida que segue, e vou acabar precisando trancar essa garota em casa, para não ter problemas!
No avião acabei não falando nada, e fui seguir viagem nas poltronas. Ela me falou aquilo tão fria, que me fez pensar, que não estou nem um pouco a fim de comer um pedaço de carne, e talvez eu nem consuma esse casamento, e só mantenha o status para acalmar a famiglia.
Chegamos em Roma, na Itália, já de manhã. Abri a porta de onde ela estava, e estava dormindo, encolhida na cama. Olhando assim não parece tão arisca, nem tão brava! Mas, eu sei muito bem, que é, e terei que levá-la em rédea curta, como se diz.
— Ei! Camila, acorde! Precisamos descer! — Falei a acordando, com a minha mão no seu ombro, e ela pareceu assustada.
— Não encoste em mim! Eu posso descer sozinha! — disse mais uma vez, marrenta.
— Nem pense em fugir! Aqui todos trabalham para mim, direta, ou indiretamente! — falei lhe apontando o dedo.
Me olhou com cara fechada, e ajeitando a camiseta que estava, se levantou batendo o pé. Fiquei de olho, até descermos do avião, e num descuido pegando o celular, a safada saiu correndo feito uma louca.
Foi para o meio da pista, e pequenos carros, sem nenhum rumo, nem sei que tipo de merda essa doida está tramando, como ela acha que vai conseguir fugir daqui, sem passaporte, e nem documentação, pois está tudo comigo?
— Peguem-na! Ordenei tranquilamente encostado no meu carro, não levaria cinco minutos para alguém da minha equipe pegar ela, só estava gastando energias à toa, mas o problema é dela.
Como eu previ, estavam vindo dois dos meus seguranças com ela agarrada pelos braços deles, e chegava a levantar as duas pernas para o alto tentando se soltar, mas é claro que seria inútil!
— Não se canse, Camila! Ainda tem a cerimônia e a consumação! E não duvide... não costumo pegar leve com iniciantes! Podem colocá-la no carro! — Ordenei aos meus homens, que logo já haviam a colocado.
Entrei e sentei do seu lado em seguida, ela estava enfurecida, mas não liguei, e falei:
— Na próxima gracinha, vou fazer uma ligação para a Argentina! É Júlia, né? O nome a ser executado! — ameacei.
Eu sei que posso ter sido, ou estar sendo c***l! Mas preciso ter o controle sobre essa garota! Não posso correr o risco dela estragar a cerimônia!
Todos sabem, que na Máfia, os casamentos são todos arranjados, e dificilmente alguém ame alguém, e nem quero isso, mas se ela negar na frente de todos, eles podem cancelar ou adiar, e o Dom, não pode passar por tamanha vergonha.
Ela engoliu seco, penso que se pudesse me matava, e preciso ficar de olho!
Camila Fernandez
Ao ser acordada pelo mafioso, continuei com o meu seguimento em fechar a cara e me manter firme. Não posso dar esse gostinho para ele, achar que está no controle, sobre mim.
Desci do avião, e nem sei em que lugar estou, ele falou que era Roma, mas não posso confiar nele.
Observei um descuido dele, e... perna pra quem tem! Corri mesmo! Eu nem sabia para onde, mas corri muito. O problema é que eu devo estar muito fora de forma, pois me pegaram muito rápido e eu nem consegui fugir mais, por mais que eu tenha me acabado de tanto tentar.
Ele voltou a ameaçar a minha família, e agora eu fiquei muito assustada, pois vi que ele já descobriu o nome da minha mãe, e terei que casar com esse infeliz para proteger ela, eu jamais permitiria que acontecesse algo a ela por minha causa!
Preferi não responder mais, vai que o cara se estressa e resolve ligar mesmo, para a Argentina.
Chegamos em um lugar enorme, com muros bem altos, portões brancos de ferro e grandes também, com uma mansão linda, com quase uma trilha na entrada, de tão longa, que era. O jardim, era bem cuidado, mas eu vi que para fugir, eu precisaria de um belo plano, pois haviam muitos empregados lá e me dificultaria muito a fuga.
— Levem-na para o quarto, e tranque muito bem! — o Dom falou, e algumas pessoas vieram me acompanhar até o tal quarto.
Nem sei como sabem que quarto é de cada um, de tantos que tem nesse lugar! Abriram uma porta, de um quarto lindo, com uma cama enorme, que nunca nem dormi, em uma parecida, com uma decoração maravilhosa, e detalhes vermelhos. Tinha um banheiro no quarto, quando entrei tinha até banheira, e era enorme!
— Senhora, pode entrar no banho, vou providenciar para a senhora, e vou sair para buscar as suas roupas, o Dom as encomendou durante a semana! O vestido do casamento, a gente veste depois! — falou uma senhora de meia idade, que pareceu ser gente boa, e falar a minha língua.
— Obrigada! — respondi agradecendo, pois ela está apenas cumprindo o seu trabalho, e me tratando com muita cortesia. Sem contar, que preciso muito de um banho.