MT NARRANDO A cirurgia já durava horas. E cada minuto era um soco no meio do meu peito. Eu andava de um lado pro outro naquele corredor apertado, o chão todo manchado de sangue seco, o cheiro de álcool misturado com cloro e desespero me dando ânsia. Minha mão suava. A outra apertava o fuzil como se aquilo fosse me dar algum tipo de segurança. Mas não dava. Nada dava. A Bruna tava sentada num canto, com o rosto enterrado na perna. Chorava baixinho. Eu ouvia. Cada fungada dela parecia faca entrando no meu ouvido. Mas eu não falava nada. Porque se eu abrisse a boca, ia ser pra gritar. A a minha mãe tava encostada na parede, com o olhar longe, rosto todo vermelho, as mãos trêmulas fazendo oração no silêncio. Ela repetia um salmo, baixinho. Os dedos mexendo no terço, os olhos fechados. Co

