WL NARRANDO O clima ali no Salgueiro tava pesado. Tão pesado que até o vento parecia andar de cabeça baixa. Os soldados andavam de um lado pro outro, os olhos atentos, a mão no fuzil, mas a verdade era que ninguém ali tava tranquilo. A tensão escorria pelas paredes do hospital improvisado. O Coroa, o rei daquele tabuleiro, tava deitado, entubado, pendurado em fio, e quem segurava a coroa agora era o filho dele. O tal do MT. E só de pensar nisso já me dava ânsia. Desde que a gente chegou, eu fiquei calado. De braço cruzado, o fuzil nas costas, olhando tudo em volta com nojo. Não era pela situação do velho. Era por ver todo mundo abaixando a cabeça pro moleque que hoje é tratado como se fosse o novo dono do mundo. Tudo por causa de sobrenome. A minha vontade era gritar. Gritar ali na fren

