MT NARRANDO A porta da sala ainda tava entreaberta quando virei de lado e encarei a Manu. Ela tava encostada na parede, os braços cruzados, o rosto cansado, a alma esgotada. Mas ela não disse nada. Só me olhou. E naquele olhar… tinha tudo. — Posso ver ele? — minha voz saiu baixa, rouca. Doía até pra falar. Ela assentiu devagar. — Pode… mas você vai ter que botar essa aqui — disse, estendendo pra mim aquela roupa azul clara, descartável, que médico usa em centro cirúrgico. — E máscara. E touca. Peguei tudo com as mãos tremendo. Não era medo, não. Era o peso. O peso de tudo que eu tava sentindo. De tudo que eu nunca falei pra ele. De tudo que ficou entalado quando a gente se virou as costas e deixou o orgulho comandar. Vesti a roupa ali mesmo, calcei as luvas. Ela ajeitou minha touca c

