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Manu Narrando Eu já tinha dobrado aquele macacão azul claro umas dez vezes. Ajeitei a manta do Cauã, tirei e botei de novo a mesma pomada na bolsa, como se aquilo fosse fazer diferença. A verdade é que eu tava ansiosa. Faltando menos de duas semanas pro parto, e meu coração não parava. Cada mexida que o Cauã dava dentro de mim era como se ele me avisasse: “Mãe, vai acontecer alguma coisa.” E foi. O telefone tocou do nada. Era a Bruna. Eu atendi achando que era alguma besteira, alguma gracinha sobre o chá de fralda, sei lá… Mas do outro lado, o som da voz dela rasgou tudo dentro de mim. — Manu… Manu, pelo amor de Deus! O Lucas… o Caio… eles tomaram tiro. Tá todo mundo no posto! Tá todo mundo no posto, Manu! Eles tão sangrando muito! Eu fiquei muda. Por um segundo, o quarto girou. O mu

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