MT NARRANDO O aperto na minha nuca ficou mais forte. Eu já conhecia aquele sinal — ou eu fazia o que ele tava mandando, ou ia sair sangue. Respirei fundo, com o Cauã aconchegado no meu peito, e encarei a Manu. O olho dela ainda tava cheio d’água, mas tinha aquele brilho de quem achou que venceu. — Toma… — falei, esticando o braço devagar. — Mas lembra, moleque… teu pai te ama. A voz quase embargou, mas eu segurei. Manu pegou o Cauã com pressa, abraçando ele como se tivesse salvando de um incêndio. Virou pro pai dela sem nem olhar mais pra mim. — Vamo, pai. — Japona me encarou com aquele ar de “essa história não acabou” e saiu atrás dela. Eu fiquei ali, no batente da porta, vendo eles atravessarem o quintal e sumirem. O silêncio que ficou depois foi pior que qualquer grito. Eu fechei

