Cheguei ao meu dormitório com o corpo inteiro dolorido, como se cada músculo tivesse desistido de mim. Precisaria de uma semana inteira para me recompor depois da viagem. Apesar de não conseguir andar direito, um sorriso bobo escapava sempre que eu me lembrava de André. Ele havia cumprido a promessa: me deixou com as pernas bambas e me devorou a noite toda. Foi... incrível.
Agimos por impulso, puro t***o. Eu estava arrependida? De jeito nenhum. Eu até fiz uma promessa, talvez a mais absurda de todas: se o encontrasse novamente, em qualquer lugar, a qualquer hora, não hesitaria em repetir tudo.
Eu sei não existe essa possibilidade. André podia estar em qualquer lugar de Minas, e a probabilidade de esbarrar com ele de novo era quase nula. Mesmo assim, eu queria motivo para tê-lo novamente, caso nos encontremos.
Nunca havia sentido aquilo antes — nem mesmo em relacionamentos que duraram mais tempo do que deveriam. Não era amor, longe disso. Era uma mistura explosiva de adrenalina, desejo e química. E eu queria mais. Queria mais dessa intensidade, mas sabia que não vou ter esse tipo de conexão com outra pessoa.
Deixei esses pensamentos de lado. Livia e Davi me convidaram para passar a tarde na piscina, mas recusei. A desculpa era a viagem cansativa, o que não era mentira. Aproveitaria os próximos dias para descansar e, no fim de semana, visitar meus pais em Belo Horizonte. O casamento de 30 anos deles seria comemorado com um churrasco em família, e eu não podia faltar.
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Eram nove da manhã quando cheguei na porta da casa onde cresci. Belo Horizonte parecia me acolher como sempre, com ruas que conhecia de cor e aquele cheiro familiar de café fresco. Meus pais me esperavam acordados, o que não era surpresa. Assim que entrei, fui recebida por abraços e perguntas sobre a viagem.
— Aproveitei bastante — respondi, sorrindo. E era verdade.
Minha mãe, sempre animada, contou que havia feito amizade com os novos vizinhos e que eles estariam no churrasco. O marido, para alívio do meu pai, havia se oferecido para cuidar da churrasqueira. Meu pai odiava o calor da brasa, então aceitou de bom grado.
Eu ficaria responsável pelo almoço, algo que já era esperado. Cursar gastronomia tinha suas vantagens e desvantagens, e ser voluntária involuntária para qualquer evento familiar era uma delas.
Após deixar tudo organizado na cozinha, subi para tomar banho. Escolhi um vestido curto e rodado, com flores miúdas que dançavam no tecido leve. Calcei uma rasteirinha e fiz uma maquiagem sutil. Queria estar bonita, mas sem esforço aparente.
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Estava descendo as escadas quando a campainha tocou.
— Filha, pode atender? — minha mãe gritou de outro cômodo.
Assenti para mim mesma e caminhei até a porta. Ao abri-la, senti o mundo parar.
André estava ali, bem diante de mim, com um sorriso tão lindo. Mas o sorriso sumiu tão rápido quanto apareceu. Ao lado dele, uma mulher. Alta, elegante, linda. A esposa.
Meu coração disparou, e uma avalanche de pensamentos me atingiu com força. Ele é casado. Meu Deus, ele sabia? Eu sabia? E se minha mãe perceber alguma coisa? Não, ela não pode perceber. Ninguém pode.
Tentei disfarçar, mas minhas mãos tremiam.
— Oi! — ele disse, a voz carregada de tensão.
— Oi... — murmurei, desviando o olhar para a mulher ao lado dele.
— Você deve ser a filha da Cláudia — ela sorriu, gentil.
Assenti, forçando um sorriso.
Minha mãe apareceu logo atrás de mim, animada como sempre, cumprimentando os novos amigos. Enquanto ela os conduzia para dentro, eu fiquei parada na entrada, o peso daquela situação me sufocando.
Eu transei com um homem casado. E agora ele está na minha casa. Com a esposa. E a minha mãe está sorrindo para ela como se fossem melhores amigas.
Eu precisava pensar rápido. Fingir que nada aconteceu, que ele não foi o motivo das minhas pernas bambas. Mas como, com ele tão perto? Esse churrasco seria um desastre. E eu não tinha como escapar.