“Sadie diz:
Aconteceu alguma coisa no treino de hoje?
Meu irmão está estranho e fedendo”
Gabriel olhava para a tela do computador soltando um suspiro pesado. De sua mente não saía a lembrança do beijo que Nicolas dera em Milles para provocá-lo.
Fora a primeira vez que vira dois garotos se beijando, e por algum motivo isso o deixava estranho.
Muito estranho.
O seu colega de time havia dito momentos antes da catástrofe que Nicolas também era gay. Sua cabeça maquinou a hipótese do capitão ter algum sentimento por Theodore, e o fato de ele ter beijado Milles sem pestanejar comprovava que o baixinho não tinha o menor problema em gostar de outros garotos.
Será que ele já havia beijado Theodore também?
Balançando a cabeça, o moreno coçara os olhos obrigando sua atenção retornar para o MSN aberto.
“Gabriel diz:
Por quê? Tenho a leve impressão de que seu irmão nunca foi normal
Sadie diz:
Verdade haha
Só que ele está quieto demais pra alguém barulhento
Gabriel diz:
Deve ser cansaço da semana de provas, e o treino hoje foi pesado
Deixe ele descansar que logo volta ao normal”
Não era difícil mentir para Sadie depois de ter prometido à Milles que nada devesse ser dito. Era compreensível tal pedido, já que o jogador sempre fazia piadas sobre Nicolas e Theodore. Imagina se outras pessoas descobrissem que ele fora beijado?
Gabriel conseguia visualizar o tamanho do estrago que aquele segredo poderia causar na escola. Era melhor manter em segredo, já que eles foram os únicos presentes na quadra.
Continuando a navegar pela internet, o moreno tentava se distrair. O que não dera certo quando uma janela conhecida se abrira em sua tela.
“Milles diz:
Ta aí ainda?
Gabriel diz:
Sim.
Como tá?
Milles está digitando...
Milles diz:
Não faça perguntas difíceis
Não tenho a menor ideia do que pensar, e parece que justamente por querer ficar na minha o pessoal tá no meu cangote.
Gabriel diz:
=/
Estou esperando Theodore entrar pra poder conversar com ele, mas até agora nada
Milles diz:
Foda-se aqueles dois
Estou puto por aquele baixinho ter feito aquilo comigo”
Gabriel soltara um riso baixo. Claro que Milles estaria bravo com Nicolas, entretanto esperava essa reação na hora do ocorrido e não depois. O alfa loiro ficara tão atordoado com o beijo, que a alma parecia ter abandonado o corpo e seu corpo exalara um cheiro diferente. Não dissera nenhuma palavra quando entrara no vestiário, seguindo para os chuveiros e se banhando silenciosamente.
Havia se despedido de Gabriel quando se encontrara com a irmã no portão da escola, sendo essas as poucas palavras que foram trocadas. Ficara sério, com os olhos sem vida e a boca machucada da mordida que levara de Nicolas.
Uma reação curiosa vinda de Milles, percebia o moreno.
“Gabriel diz:
Posso ser sincero contigo?
Milles diz:
Manda aí
Gabriel diz:
Eu pensei que você fosse espalhar pra escola inteira que o capitão fez aquilo, pra provocar ele...
Por que quer manter em segredo?
Milles está digitando...
Milles diz:
Porque eu não fui capaz de fazer alguma coisa na hora.
Se eu espalhasse, iriam me perguntar o por quê de ter deixado. Poderia ter dado um soco naquele tampinha, mas não fiz.”
Encostando-se na cadeira para cruzar os braços, Gabriel concordava com a cabeça. Fazia sentido. O olhar de espanto de Milles na hora fora impagável, sendo essa a primeira vez que alguém conseguia fazer o alfa ficar daquela maneira.
Mais uma vez se lembrava daquela cena tão estranha e incômoda. Gabriel mordia o lábio inferior tamborilando os dedos sobre seu braço, ponderando se deveria fazer a pergunta de um milhão. Tinha receio de que seu amigo fosse esquivo e o mandasse à merda, mas queria saber.
— f**a-se, vou perguntar.
Ajeitando-se na cadeira, seus dedos tornaram a digitar rapidamente.
“Gabriel diz:
Quero te perguntar uma coisa, não irei tirar sarro de você e muito menos quero te pressionar. É apenas curiosidade minha, se não quiser falar eu vou entender
Milles diz:
O quê?
Gabriel diz:
Como é ser beijado por outro garoto?
Milles está digitando...
Milles diz:
Posso te responder amanhã na escola?
Meu pai tá me chamando agora, então vou precisar sair
Gabriel diz:
Claro, de boa
Milles diz:
Não estou fugindo! Não pense merda
E de novo, não abra o bico pra ninguém sobre isso.
Gabriel diz:
Relaxa, eu te dou cobertura.”
Depois que Milles saíra do chat, Gabriel suspirara alto acariciando a própria testa. Olhando a hora, pressentira que Theodore não entraria no chat naquela noite.
Apenas queria perguntar.
Uma única pergunta que martelava sua cabeça tanto quanto a imagem da catástrofe. Pois havia outra imagem que lhe atormentava tanto quanto aquilo...
Ora essa, o beijo de Nicolas e Milles acontecera por causa de uma afirmação. Uma afirmação que havia deixado Theodore pálido e sem palavras, quase tentando fugir dela.
Theodore gostava de Gabriel?
Com a mão sobre o peito, ainda podia sentir seu coração batendo rápido só de lembrar a sensação daquela tarde. Sentira-se ansioso por algum motivo inexplicável, e agora perguntas lhe cercavam incessantemente.
O que faria se isso fosse verdade?
Se Theodore gostasse de si, o que ele deveria fazer?
Talvez perguntar como isso aconteceu? Ou então avisá-lo de que são apenas amigos? Ué, essa fora a resposta de Theodore naquela tarde, de que os dois são apenas amigos. Mesmo que o ômega negasse, a sensação engraçada tomara o peito de Gabriel.
O rapaz inclinara a cabeça para trás fitando o teto. Mais uma vez mordera o lábio inferior tentando organizar seus pensamentos. Tal ato o fizera lembrar de um certo ocorrido na sala de aula.
Pegando o fone de ouvido e o ajeitando, Gabriel procurara pela internet uma certa música que escutara uma vez. Lentamente a melodia soara baixa em seus ouvidos, carregando a lembrança de Theodore sentado sobre a carteira assistindo a chuva cair no lado de fora.
O quão tranquilo ele aparentava vendo a chuva, com aquele sorriso no rosto. Perdido nos próprios pensamentos, Gabriel lembrava-se do tom avermelhado tomando a face de Theodore e o momento em que mordera o lábio inferior.
“Estou deixando ele nervoso” pensava Gabriel no momento em que notara os dedos nervosos de Theodore sobre o colo. E então seus dedos se ergueram para tocar o lábio inferior do loiro, sentindo a maciez sobre seu dígito.
Aquela sensação, a sentira naquele momento. A sensação engraçada que parecia formigar em seu peito, o fazendo se prender no desejo súbito que aquela música proporcionara.
Agora que se lembrava daquele momento, Gabriel se perguntava o quão macio seriam os lábios de Theodore. Fechando os olhos, sua mente trabalhara arduamente em trazer à tona os momentos que aqueles dois amigos compartilhavam.
Entretanto o que fazia o seu corpo reagir de jeito tão estranho eram as lembranças em que tocava Theodore. O dia em o ajudara a se esconder no vestiário, prendendo-o contra si em um abraço apertado. Estavam perto o suficiente para sentir o seu cheiro, sentir seu coração bater acelerado na palma de sua mão, e sua respiração ficar descompassada.
Não houvera nenhum outro momento em que aqueles dois ficaram tão próximos daquele jeito.
Abrindo os olhos, Gabriel fitara as próprias mãos que se encontravam quentes e avermelhadas, como se todo o calor do corpo se concentrasse ali. Só não seria o caso, pois sentia todo o corpo esquentar.
Percebendo o que estava prestes a acontecer, Gabriel arrancara os fones de ouvido e se levantara da cadeira marchando às pressas até o banheiro.
Precisava de um banho gelado antes que algo vergonhoso acontecesse.
「 • • • 」
Na quinta de manhã, Gabriel não fora para a fonte como era de costume. Na verdade, ficara perto do muro dos fundos da escola onde esperara por seu amigo loiro. Enquanto aguardava mergulhado no silêncio, o moreno olhava para o céu claro suspirando pesado.
Já fazia um bom tempo que sempre se questionava o que raios estaria acontecendo consigo. Estranhava cada comportamento seu quando o assunto envolvia Theodore, e nos últimos dias parecia piorar. Piscando lentamente, repetira para si mesmo que não lidaria com seus pensamentos insanos agora.
— Eaí.
A voz baixa cautelosa não condizia com o Milles de sempre. Nem o seu cheiro, que parecia diferente. Virando a cabeça para o amigo, Gabriel sorrira gentilmente deixando as mãos no bolso da calça.
— Bom dia. Que cara de acabado.
O atleta erguera um sorriso ladino, jogando a mochila no chão para se encostar no muro ao lado de Gabriel.
— Foi uma péssima noite. Pra fechar o dia, ontem tive uma briga com meu pai e agora quero explodir esse mundo de merda.
Milles mantinha o sorriso ladino no rosto, mas não parecia ter o mesmo brilho que geralmente tinha. Parecia cansado demais. Gabriel, então, afagara o ombro do amigo lhe dando um mínimo de conforto.
— Discutir com os pais é normal, não precisa ficar encanado com isso.
— Não é a primeira vez, já tô acostumado. Só estou rindo da coincidência das merdas acontecerem em um único dia.
— Basta fingir que nada aconteceu. Sabe que ele fez isso só pra te provocar, se reagir diferente ele vai achar que venceu.
— Eu sei. — Suspirava Milles encostando a cabeça no muro, olhando para o céu em seguida fechando os olhos. — O que me fode não é isso. Estou puto comigo mesmo.
Arqueando a sobrancelha em confusão, Gabriel continuara a encarar o amigo.
— Como assim?
— Já fiquei com várias garotas, desde as mais contidas até as mais abusadas. Admito, prefiro as mais selvagens porque elas parecem sedentas pra ficar comigo... — Lentamente abrira os olhos, tirando a mão do bolso para tocar o próprio lábio machucado — Mas é a primeira vez que alguém quis me machucar com um beijo.
Gabriel se remexera sem compreender direito o ponto que seu amigo queria chegar. Tampouco ousara lhe interromper. Milles parecia perdido nos próprios pensamentos enquanto acariciava a própria boca. Então o loiro baixara a mão no bolso novamente.
— Não sei se estou te acompanhando, cara.
Milles se desencostara do muro, bagunçando os cabelos furiosamente. Até mesmo rosnara parecendo se irritar consigo mesmo. Quando o loiro olhara para os lados, Gabriel o imitara pensando se procurava alguém por perto. Mas estavam sozinhos naquela parte da escola.
— Estou puto comigo mesmo, porque eu fiquei surpreso com o que aconteceu ontem.
— Bem, isso é óbvio. Não tem porquê ficar bravo por não ter reagido.
— Não é isso o que eu quero dizer. Como eu posso dizer isso... Merda isso é tão complicado...
— Calma cara, leve seu tempo.
— Senti uma conexão.... Eu gostei! — Explodira Milles, fitando o amigo parecendo perder a cabeça à qualquer momento.
De olhos arregalados e boca entreaberta de espanto, Gabriel a fechara quando seu cérebro voltara a trabalhar.
— C-Como é? Acho que não entendi...
— Não, você entendeu certo Gabriel. Não vou dizer isso alto mais uma vez.
— Foi m*l, eu ainda to processando a informação.
— Estranho não é? — Ria Milles, aproximando do amigo desesperado — Penso que estou assim porque a intenção daquele maldito foi a de me castigar, me ferrar de alguma maneira.
Gabriel não conseguia desviar os olhos do amigo, que parecia na beira do precipício do desespero. Tentava acompanhar seu raciocínio, o que por si só era uma tarefa difícil, já que Milles parecia extremamente confuso. Tentando buscar alguma pista em suas palavras, Gabriel refletira sobre a conversa. Lentamente a surpresa de Gabriel aumentava ao compreender o que o amigo quis dizer.
— Então... Está dizendo que o beijo do Nicolas foi selvagem do jeito que tu curte?
Rapidamente Milles cobrira a boca de Gabriel, olhando em volta com os olhos injetados. Sem ninguém por perto, virou-se para o amigo suspirando baixo.
— Foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Merda aquele baixinho foi agressivo, mesmo depois de ter me mordido ele continuou ali. — Murmurava Milles, baixando os olhos. — O que me deixou puto comigo mesmo não foi só isso.
Conseguindo se livrar da mão que cobria sua boca, Gabriel respirou fundo vendo o amigo fechar os olhos como se algo doesse. Uma expressão tão dolorida deixara o alfa atento a socorrer Milles em caso de emergência.
O que poderia deixar seu amigo tão bravo consigo mesmo, além de admitir ter gostado de ser beijado por outro cara? Ainda mais, ser beijado pela pessoa com quem mais briga? Havia alguma coisa além disso?
Só se fosse perder a cabeça por gostar de Nicolas.
Um estalo fizera na cabeça de Gabriel.
— Você quer ficar com ele, pra valer.
O jeito como Milles o olhara parecia alguém culpado sendo pego em flagrante cometendo seu maior crime. Até o desviar de olhos fomentara suas suspeitas. Agora conseguia compreender o motivo de seu amigo parecer tão cansado.
Milles costumava provocar Nicolas e Theodore todos os dias. Já tivera de lidar com diferentes tipos de reações, desde as mais explosivas até as mais simples como um revirar de olhos. Fazia parte da rotina de Gabriel ver Milles e Nicolas trocando farpas.
Então, repentinamente é beijado pela pessoa que mais odeia. Um beijo que poderia ser violento carregado de malícia. Um beijo que o fizera sentir uma conexão. Como não se sentir confuso?
— Eu perguntei pro Theodore como era ser beijado por outro cara, e no final das contas aconteceu isso. — O sinal do início das aulas tocara, e Milles se inclinava para pegar a mochila do chão a jogando sobre seus ombros — Você também me perguntou isso, então só posso dizer pra experimentar e tirar suas próprias conclusões. Vamos embora.
Gabriel apenas concordara com a cabeça arrumando a alça da mochila e seguindo seu amigo pra dentro do prédio. Não ousaria questionar mais nada de Milles, já que o outro se abrira consigo mesmo eles tendo se conhecido naquele ano.
Quando chegaram no corredor das salas, os dois amigos se encontraram justamente com a dupla que menos deveriam ver. Theodore olhara para Gabriel sorrindo levemente antes de fitar Milles, que por sua vez fitava o baixinho sonolento.
Se Milles parecia um zumbi por gastar sua noite pensando sobre o ocorrido, bem Nicolas era o contrário. O cansaço era rotineiro em sua pessoa, ainda assim ele parecia bem. Até mesmo abrira um sorriso ladino, sustentando o olhar do mais alto.
— Oh... Parece que alguém teve uma noite bem agitada.
— Nico... — Repreendia Theodore
— Já está preocupado comigo, tampinha?
— Preocupado? Eu? Se enxerga.
Nicolas revirara os olhos ignorando por completo a dupla de jogadores para entrar na sala de aula. Theodore suspirava seguindo o amigo, deixando Gabriel curioso com a reação. Imaginava que Nicolas estaria mais disposto a brigar com Milles.
Assim como imaginava que seu amigo fosse agir diferente depois da conversa que tiveram. Olhando de canto para o alfa, percebera que ele encarava a sala de aula seriamente.
— Tá tudo bem?
— Não vou cair de joelhos pra esse i*****l, Gabriel. Nada mudou. — Milles dera um tapa leve nas costas do amigo, virando-se para o corredor — To indo, nos vemos no treino mais tarde.
— Certo...
Assistindo o amigo seguir silenciosamente para a sala de aula, Gabriel percebia que a frase “nada mudou” era uma grande mentira.
「 • • • 」
Após sair do banho quente e vestir o seu pijama, Gabriel ligara o computador ansiando pela distração. Nunca se sentira tão cansado na vida como se sentia naquele momento.
Tudo graças à um beijo.
Milles e Nicolas não se falaram durante o treino, porém Gabriel percebera uma tensão odiosa entre os dois. Assim como no dia anterior, os dois ficaram em times opostos dando continuidade à disputa pessoal deles. Um querendo fazer mais pontos que o outro. Um querendo ser mais forte que o outro.
Até mesmo o treinador percebera que alguma coisa havia acontecido. Pois era costumeiro que Milles falasse bobagens ao ponto de irritar seu capitão. Porém ele levara a partida treino com tanta seriedade, que permanecia em silêncio.
Ninguém ousara dizer alguma coisa.
Gabriel até cogitara em conversar com Theodore e perguntar se Nicolas havia dito alguma coisa sobre o ocorrido. No entanto o assistente se ausentara naquela tarde por motivos desconhecidos. Já não haviam se falado entre as aulas e não se viram no treino, foi o suficiente para Gabriel chegar à uma conclusão.
Theodore estaria lhe evitando.
Assim que o computador ligou, o alfa abrira seu MSN verificando a lista de usuários online. Um sorriso surgira em seu rosto quando o nome de Theodore aparecera com a bolinha verde, o fazendo abrir o chat rapidamente.
“Gabriel diz:
Olá Theodore!
Nem nos falamos direito hoje, como está?
Theodore diz:
Eaí! Estou bem e você?
Aliás... Como foi o treino de hoje?’
— Está curioso, não é? — Ria Gabriel.
“Gabriel diz:
Um verdadeiro campo de batalha
Mas não mencionaram nada, e se evitaram no vestiário
Theodore diz:
Ainda bem, fiquei com medo que fossem criar barraco no meio do treino
Gabriel diz:
Provavelmente tudo voltará ao normal em breve
Os dois se odiando, e a gente que lute pra segurar eles”
Gabriel minimizara a janela e entrara no Orkut enquanto esperava a resposta de Theodore. Era comum que o ômega demorasse em responder, e quando tinha curiosidade pra saber sua resposta essa demora era insuportável.
O que Theodore ficava fazendo pra demorar tanto em responder? Estaria conversando com outras pessoas? Não o via com outros amigos além de Nicolas. Ah, aquele pensamento era inválido, já que no outro dia uma garota conseguira levar Theodore para uma cafeteria.
Uma cafeteria.
Com uma garota.
Será que ele tinha aquela menina no seu perfil?
Rapidamente Gabriel entrara no perfil de Theodore, acessando sua lista de amigos verificando cada foto de perfil. Para o seu desprazer, encontrara a dita cuja na lista.
Lilian era o seu nome.
Ora ora, Theodore levara dias para aceitar a solicitação de amizade de Gabriel, enquanto que aquela garota já estava na sua lista... Que injusto. Será que ele tinha o MSN dela, e estavam conversando?
Fazendo um bico nos lábios, abrira a janela do chat e chamara a atenção de Theodore. Rapidamente a mensagem de que o rapaz loiro estava digitando aparecia na tela.
“Theodore diz:
Por que você sempre faz isso?
Levo cada susto, um dia vou morrer do coração e a culpa será sua.
Gabriel diz:
Fico me perguntando o que te deixa tão distraído pra demorar em responder...
Theodore diz:
Eu to lendo
Gabriel diz:
Qual livro?
Theodore diz:
Não é livro...
São histórias em uma comunidade do Orkut.
Gabriel diz:
É bom?
Sobre o que é?
Theodore diz:
É romance, nada demais
Gabriel diz:
Manda o link aí, então
Theodore diz:
Você não vai gostar
Gabriel diz:
Ué, por que não?
Theodore diz:
É romance gay”
Existiam romances gays? Bem... Só por nunca ter lido um não significaria sua inexistência.
Já havia notado que Theodore adorava ler. Algumas manhãs ele tinha o hábito se sentar debaixo da árvore com um livro em mãos, ficando distraído enquanto lia. E também era comum Theodore ficar na biblioteca. Lembrava-se da vez que fizeram um trabalho por lá, encontrara o loiro sentado no chão lendo “Eclipse”.
Aquele não era o romance de vampiros que estava fazendo sucesso entre as garotas? Provavelmente Theodore era fã de romance.
Gabriel não se importava muito com romance, era fã de fantasia. Harry Potter e Senhor dos Anéis eram seus prediletos. Provavelmente aqueles dois amigos jamais tinham conversado sobre esse tipo de assunto, onde contariam compartilhavam seus gostos preferidos.
Seria uma boa forma de se conhecerem ainda mais. E então poderiam emprestar livros, ver filmes juntos.
Mas... Será que estaria disposto a conhecer um romance gay caso Theodore pedisse?
“ — Eu perguntei pro Theodore como era ser beijado por outro cara, e no final das contas aconteceu isso. Você também me perguntou isso, então só posso dizer pra experimentar e tirar suas próprias conclusões”.
As palavras de Milles retornavam com força na mente de Gabriel. O amigo que sempre zombava ficara em silêncio depois de ser beijado por Nicolas. Talvez a experiência tenha sido uma lição da vida.
Entretanto Gabriel não zombava de Theodore. Nem tinha receio dele. Apenas... Achava incompreensível. Não conseguia entender como aquilo poderia funcionar.
Uma ideia surgira em sua mente, e rapidamente o garoto começara a digitar no teclado escuro.
“Gabriel diz:
Theodore, pode me enviar o link dessa história?
Theodore diz:
Da que estou lendo?
Quer realmente ler?
Por quê?
Gabriel diz:
Estou curioso pra saber o tipo de história que você curte
Theodore diz:
É apenas romance
Igual aos filmes héteros, não tem muita diferença
Gabriel diz:
Então não tem problema em eu ler, certo? ;)”
Mesmo Theodore parecendo relutante nas mensagens, ele enviara o link para Gabriel. A página de um tópico da Comunidade fora aberta, tendo o moreno lido a sinopse da história primeiro.
Parecia uma história comum e tanto quanto mau escrita, mas continuaria a ler. Não apenas para saber o que roubava a atenção de Theodore, mas para tirar as diversas dúvidas que tinha em sua mente. Para atingir esse fim, Gabriel ficara até tarde da noite lendo a dita história, sentindo vários porquês sendo respondidos de maneira simples, divertida e romântica.