Fazia 3 dias que Fernanda tinha ido embora. Sónia tinha voltado a trabalhar e seguia com a sua vida.
Eduarda era a sua única amiga, e lamentou não estar presente quando soube da morte de João Carlos.
- Como tens passado amiga?... Eduarda perguntou...
- Estou a melhorar. Confesso que ainda penso nele, mas a dor está a diminuir.
- Você pensou na proposta do Dr. Eugénio?
- Sim. E vou aceitar .Será bom ir trabalhar numa Clínica de especialidades.
- Já decidiste em que área vais actuar?
- Sim. Pediatria. O Dr. Eugénio disse que o dono da Clínica é excelente e vai me ajudar muito.
Assim, vou poder terminar o mestrado.
- Que bom amiga. Conta comigo para o que for. Já falaste com a Fernanda?
- Já sim. Eu a perdoei.
Afinal, o João Carlos também a enganou.
- Gostei dessa tua mudança de atitude.
- Obrigada Duda. Vamos trabalhar? Na segunda eu começo na Clínica.
- Temos que comemorar.
- Talvez outro dia. Esqueci de te dizer que tenho um novo vizinho.
- É mesmo? Como ele é?
- Não sei. Ainda não o vi, mas espero que seja boa pessoa.
- E eu espero que seja lindo..
Riram e voltaram para o trabalho.
Sónia trabalhou muito e ficou triste por se despedir dos seus pequenos pacientes.
Ela adorava crianças, e já não acreditava que realizaria o sonho de ser mãe.
Mas o destino é cheio de SURPRESAS, MISTÉRIOS E MILAGRES.
Sónia preparou - se para mudar a sua vida e dar a ela um novo rumo. Após mandar entregar na casa de Fernanda todas as coisas de João Carlos, ela decidiu fazer mais uma mudança: Voltaria a usar o seu sobrenome de solteira.
A dor de ter se tornado viúva não havia desaparecido, mas agora Sónia não sentia mais culpa.
Estava decepcionada por não ter falado com ele quando teve a oportunidade. Agora era tarde demais, e ficar se lamentando não resolveria o seu problema.
Seguindo o conselho de Maria Eduarda, ela ligou para uma designer de interiores. Combinaram um encontro. Sónia queria fazer uma mudança completa na sua casa. Deixaria ela mais alegre e colorida. Não queria vestígios do passado.
Fernanda e também a sua mãe tinham dito várias vezes que sendo ainda muito nova ela tinha o direito de seguir com a sua vida.
Começaria por dedicar mais tempo à sua profissão, e quem sabe com isso poderia abrir novamente o seu coração.
O amor que João Carlos dizia sentir por ela já não parecia tão verdadeiro. As lembranças dos bons momentos agora estavam debaixo de mais dúvidas.
Era o momento de deixar o passado e viver o presente sem apressar a chegada do futuro.
Era o momento de começar a acreditar na chegada de um milagre que a faria acreditar novamente na existência do amor incondicional.