Capítulo 2

1606 Words
Frank O sangue ferve nas minhas veias, sinto o fluxo sanguíneo se acumular na minha cabeça conforme acelero o carro rumo ao meu apartamento. Anos na polícia e não deixo de me surpreender com as desgraças a qual temos que ver. Um bêbado desgraçado maltratando uma criança de três anos enquanto a mãe trabalhava. Alguns vizinhos fizeram a denúncia hoje cedo, e eu fiz questão de ir. p***a, a vontade que eu não tive de dar um tiro no meio da testa do desgraçado. Me pergunto até agora o porquê de eu não ter feito isso! Ainda teve a coragem de dizer que a garotinha tinha desobedecido e estava apenas ensinando-a bons modos. Se eu tinha me segurado até ali, não deu mais, desferi socos e vários pontapés enquanto ele se contorcia no chão, com a mão no nariz quebrado. Podem falar sobre abuso de poder e o c*****o todo, eu só não o matei porque ainda pretendo prender muitos filhos da p**a como esse. Infelizmente. Meu colega algemou e o levou para a viatura enquanto eu batia na porta dos vizinhos para, se possível, ligarem para a mãe da garotinha que todavia dormia no meu colo depois de tanto chorar. Os roxos no seus braços estavam cada vez mais visíveis. Eu juro que se viesse sozinho eu o mataria. Bêbado desgraçado! Imundo! Ele foi preso – obviamente –, já a mãe quando viu a filha naquela situação, chorou. Relutei em entregar mas vi o sofrimento estampado nos olhos dela. Só estou saindo da delegacia agora, três da manhã depois de ter certeza que o meu depoimento e de James – meu colega – o faria ficar uns bons meses preso, até sair os exames da menina para comprovar, se houve ou não, abuso s****l. Só em pensar nisso a bile sobe a garganta. Quem faz isso, deveria passar a vida toda atrás das grades, sendo espancado e esfolado, mas infelizmente a Justiça é assim. Reduzo a velocidade ao entrar no estacionamento do prédio. Minha cabeça está tão cheia que não me importo em ouvir os gemidos do carro ao lado quando desço. Eu só quero tomar um banho e dormir. Entro no elevador, aperto o número do meu andar e espero –sem paciência – enquanto ele sobe. Pego o celular no bolso da calça e assim que ligo, aparecem inúmeras mensagens e ligações. Todas de Ágata, minha prima. O elevador para e eu caminho para o meu apartamento olhando as mensagens sem nexo dela. Ao parar em frente, levo a chave a fechadura e me assusto ao perceber que a porta se encontra aberta. Merda! Saco a arma, entro fazendo o mínimo de barulho possível e a cena que vejo me faz revirar os olhos. Ágata, com seu corpo magro jogado no sofá apenas de calcinha e sutiã com seus cabelos curtos espalhados pelo mesmo. No chão, duas garrafas de vinho vazias. Estou cansado e estressado, meu plano era apenas dormir não cuidar de uma mulher bêbada. Inferno! "Ágata." Me agacho ao seu lado. Por Deus, tentando ao máximo não olhar a calcinha atolada na b***a. "Ágata!" Chamo-a outra vez. Sem resposta, ela está apagada. Levanto, vou para a cozinha trazendo comigo as garrafas e deixando-as na ilha. Temos uma relação de bastante afeto e amizade apesar do que aconteceu anos atrás por um deslize — e isso significa ela ter a chave do meu apartamento e vim se embebedar aqui sempre que quiser. Minha mãe é irmã do pai dela, porém nem tudo é bonito na nossa família, a relação deles fora afetada por erros. Erros esses, que nunca foram revelados a ninguém. Desde o maldito incêndio cinco anos atrás que as coisas mudaram. Eu mudei! Não consigo mais encarar a minha mãe, enfrentar um jantar e saber que aquela cadeira vazia ao meu lado era do meu irmão, que era para ele está ali. p***a, eu não consigo. Entro no quarto me livrando das roupas no caminho até o banheiro. Amanhã teremos uma operação em um armazém abandonado, houve uma denuncia anônima sobre uma quadrilha de traficantes e estamos há algumas semanas estudando estratégias para enfim derruba-los. Drogas e armas estão sendo guardadas em um túnel abaixo do armazém que consequentemente fica abaixo da igreja no centro. Entretanto, ainda não conseguimos descobrir a quem pertence. Digo, a indentidade do líder. Abro o box, ligo o chuveiro e deixo a água lavar tudo, todo o estresse acumulado no dia. Solto um suspiro de satisfação abaixando a cabeça e ficando assim por alguns minutos, só deixando a água levar minhas tensões e me relaxar. Depois de meia hora saio do banho e penso em cair na cama sem roupa, mas ao lembrar de Ágata decido vestir uma calça de moletom. Aumento a temperatura do ar e, por fim, deixo o sono me vencer. Horas depois, acordo sentindo alguém deitado comigo, especificamente em cima de mim. "O que diabos você está fazendo?" Questiono ao acendendo o abajur e me deparando com Ágata montada em mim. "Enlouqueceu p***a?" Ela ri. "Por favor, só hoje..." Choraminga levantando um dedo. "Você sabe que eu te amo Frank." Diz mais uma vez. "Você está bêbada, c*****o!" Falo alto pegando em sua cintura e tirando-a de cima de mim. "Somos primos, será que você não entende?" Levanto, acendo a luz e a vejo se encolher na cama. "O que aconteceu no passado foi um maldito erro." Grito e ela treme. "Não foi um erro." Soluça. "Eu sempre fui apaixonada por você, então não foi a merda de um erro." Diz brava. Suspiro sem paciência passando a mão no cabelo. Já tivemos essa conversa várias e várias vezes. Não tem como continuar próximo a ela. Eu tentei, tentei apoia-la e não deixá-la sozinha mas está difícil. "Não posso te dar mais que um sentimento fraterno." Assevero. "Eu sei." Admite baixinho "Me desculpa, eu... Eu só preciso dormir um pouco Frank, me desculpa mesmo." Aperto o nariz e suspiro quando ouço-a ressonar. Ela precisa entender, estávamos bêbados e foi um maldito deslize. Um erro, que não voltará a ser repetido! Saio do quarto já sem sono e vejo que só conseguir dormir duas malditas horas. Com a ponta dos dedos puxo o cabelo da nuca e vou para a cozinha preparar um café forte e amargo. Não gosto de café com açúcar. Eu sinto que o dia hoje irá ser longo, e eu ao menos dormi. Meu humor está péssimo e minha paciência zerada, por isso escolho ir para a academia até dar o horário do trabalho. Não quero – e nem pretendo – encontrar Ágata quando ela acordar, porém precisamos ter uma conversa séria se a mesma quiser continuar fazendo parte da minha vida. Não gosto de joguinhos, e eu sei o que ela está fazendo. Não vai rolar. Na academia, descarrego minha tensão no saco a minha frente, estou queimando, totalmente desperto e pronto para enfrentar o dia com maestria. Ou era isso que eu pensava. Eu definitivamente não estava preparado para essa grande surpresa grega. Com os olhos mais castanhos, instigantes e tristes que já vi, e que ia f***r comigo com sua demasiada inocência. Horas mais tarde, estão todos em suas posições, prontos para invadir o armazém abaixo da igreja. Estou no meu ponto, a igreja está fechada e eu terei passar por dentro dela, mais específicamente, pelo confessionário, onde há uma escada que leva para lá. Bandidos expertos, esconder drogas e armas de baixo de uma igreja, onde ninguém jamais iria desconfiar, que pecado. "Agente Constantini, pode caminhar para sua posição!" Recebo a ordem no meu ponto, do policial que fica no monitoramento dentro da van. Seguro firme minha arma e entro olhando tudo em volta, sempre atento a qualquer movimento, caminho girando a cabeça sem perder a concentração, abro a porta do confessionário e... "O que diabos?" Exclamo surpreso ao ver uma mulher deitada no chão. Ela aparentemente se assusta com meu grito e solta outro, assustada, rapidamente ela leva as duas mãos à boca. A moça que aparenta ser jovem, encolhe o corpo magro e olha para minha arma com uma expressão de medo e desespero, seu olhar fica atordoado e ela começa a chorar "Constantini. Pronto, tudo certo por ai?" O policial pergunta no ponto. Mas eu não posso descer com essa suspeita ou vítima aqui chorando desesperadamente. "Não me mate, por favor." Ela implora e eu lanço-lhe um olhar confuso para a loucura que sai dos seus lábios. Portanto, impaciente eu me agacho a sua frente e olho dentro dos olhos cor âmbar, e por alguns milésimos de segundos, esqueço-me do que vou dizer ao encarar o medo em seus olhos, entretanto um barulho de tiro abaixo de mim indica que a operação começou, me deixando em alerta novamente. Levanto atordoado e me afasto do ser a minha frente. "Se você não quer morrer, sugiro que cale a maldita boca. Afinal, que p***a você faz aqui menina?" Questiono. Ele se encolhe ainda mais. "Você... Você não está aqui para me pegar?" Indaga num sussurro. "Você por acaso tem algum envolvimento com tráfico de drogas?" Questiono. "Se não, eu definitivamente não vim aqui pegar você." Ela balança a cabeça freneticamente dizendo que não. "Fique aqui, não se mexa e nem saia da igreja. Não posso perder meu tempo com você. Tente se manter longe das balas." É o que digo ao deixar a menina sentada no chão com a cabeça nos joelhos e mãos nos ouvidos. Os barulhos aumentam e eu preciso descer para acabar com essa p***a de uma vez por todas. Porém ainda me perguntando o que ela estaria fazendo ali.
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